Alternativas para combater a transfobia no Brasil contemporâneo

Enviada em 20/11/2021

Na mitologia nórdica, Loki, o deus da trapaça, é condenado por Odin a ficar em uma caverna amarrado recebendo, eternamente, sucessivas gotas de veneno que o queimam. Paralelamente à partição mitológica, a escassez de ensino acerca da sexualidade e a negligência estatal corroboram a banalização do preconceito transfóbico na atualidade, o qual estrutura uma vivência condenadora aos indivíduos transexuais. Desse modo, essa problemática constitui mais uma mazela contemporânea brasileira.

Antes de tudo, a insuficiência educacional na promoção de atividades para a introdução de conceitos relativos à sexualidade nas escolas contribui para o permanência da transfobia na sociedade. Com isso, o filósofo Immanuel Kant, ao dissertar sobre a construção do cidadão, apontou que o ser humano é aquilo que a educação faz dele. Nessa ótica, torna-se evidente que a escola desempenha um papel definitivo na manutenção dos preconceitos vigentes, sendo parcialmente responsável por sua existência.

Outrossim, a ineficiência governamental no auxílio aos necessitados e na execução dos procedimentos normativos relacionados à criminalização da transfobia acarreta a maximização das insalubridades sofridas pelas pessoas transexuais. Dessa maneira, o escritor brasileiro Gilberto Dimenstein, em uma das suas obras literárias, criticou o sistema legislativo brasileiro por sua composição baseada em normas sem efetividades práticas. Dessarte, notoriamente, a insuficiência estatal na designação de leis devidamente formuladas intensifica as negatividades derivadas da intolerância transfóbica. Assim, gera-se um problema público de saúde, tendo em vista as mazelas corroboradas nos transsexuais, tais como depressão e ansiedade, além de um empecilho de segurança pública, por conta da violência disseminada pelos intolerantes.

Portanto, é necessário que o Ministério da Educação, orgão federal responsável pela manutenção e administração dos trâmites educacionais nacionais, introduza nas grades curriculares disciplinas que promovam o aprendizado acerca da sexualidade e suas tipologias existentes, com a finalidade de desenvolver a igualdade na sociedade brasileira.  Nessa perspectiva, essa ação poderia ser construída por meio da criação de diretrizes e utilização de recursos dinâmicos, como brincadeiras e exercícios fílmicos, para auxiliar os professores na execução das atividades de ensino. Desse jeito, essa problemática estará finalizada e a vivência dos cidadãos transsexuais no Brasil será divergente da realidade condenatória de Loki.