Alternativas para combater a transfobia no Brasil contemporâneo
Enviada em 27/02/2022
No filme Luca, da Pixar, os personagens principais são monstros marinhos e devido a isso são perseguidos e excluídos do meio social. Mesmo que a animação se passe no universo cinematográfico, é possível traçar um paralelo entre ela e a realidade dos transsexuais brasileiros, os quais, de acordo com o ANTRA, vivem no país que mais mata pessoas trans no mundo. A partir desse contexto, é necessário entender as causas e modos de combate a essa violência, além dos desafios envolvendo o seu combate.
É muito relevante, em primeira análise, entender que a perseguição contra esse grupo está presente não só nas ruas, mas também dentro de suas próprias casas. Para Silvio Almeida, filosofo brasileiro, isso se deve porque os seus familiares foram e estão inseridos numa cultura que incentiva o preconceito contra grupos minoritários. Para amenizar os efeitos dessa é necessário que pessoas trans tenham mais espaço e visibilidade, além disso, é necessário que seja educadores sejam orientados a repreender práticas de preconceito em ambiente escolar, evitando que elas perdurem.
No que diz respeito aos empecilhos para o combate a transfobia, um deles é a falta de leis que amparem essa comunidade, gerando desigualdade e por consequência negando a sua cidadania. De acordo com José Murilo de Carvalho, historiador brasileiro, a desigualdade é a escravidão de hoje, ela é uma doença que impede a construção de uma sociedade democrática. Ou seja, o principal desafio para garantir a cidadania e inclusão desses grupos é a incapacidade do sistema político de produzir resultados que acarretem na redução das desigualdades e no fim da separação dos brasileiros seja por orientação sexual, raça, renda, ou cor.
Ao compreender que a transfobia está presente na estrutura social, torna-se necessário que sejam implementadas mudanças que alterem essa estrutura, a qual afeta negativamente a vida de todos os transsexuais do Brasil. Para que elas aconteçam, é necessário que o Ministério da Cultura seja recriado e assim, junto com o Ministério da Educação, sejam elaboradas peças e filmes com tom educativo que seriam exibidos tanto em escolas quanto na televisão, de modo que a população seja conscientizada a respeito da questão da transfobia.