Alternativas para combater os maus-tratos aos animais

Enviada em 09/10/2019

O filme 101 dálmatas retrata em sua trama a tentativa da personagem Cruella de capturar e utilizar os cachorros para satisfazer seu desejo pessoal de obter um casaco de pele. Fora da ficção, observa-se que os maus-tratos aos animais ainda persistem no Brasil, especialmente pela falta de empatia humana e pelo uso de bichos em espetáculos. Dessa forma, faz-se relevante a discussão acerca desses aspectos e de alternativas para combater esse entrave.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar que a falta de compaixão com os animais por parte da sociedade contribui para agravar o problema. Nesse sentido, segundo o filósofo Arthur Schopenhauer, a empatia em relação aos bichos está intimamente ligada à bondade de caráter. Sob tal ótica, casos de maus-tratos, como os que levaram à morte de um cão em um estacionamento do supermercado Carrefour em 2018, não são eventos isolados no Brasil e reforçam a tendência individualista e desprovida de bondade de alguns indivíduos. Desse modo, é necessário que o sentimento de alteridade seja algo mais comum na vida de todo ser humano.

Em segunda análise, é notório o debate sobre o treinamento de animais para sua utilização em circos. Nesse contexto, sabe-se que, em alguns estabelecimentos, os bichos sofrem diversos tipos de violência, como confinamento em lugares extremamente reduzidos e sem ventilação, ausência de alimentos, danos físicos e mutilações, com o intuito de prepará-los para as apresentações ao público. Logo, faz-se imprescindível que haja a regulamentação dessa prática, como ocorreu no estado de Santa Catarina em 2017, com a aprovação de uma lei que proíbe o emprego de espécies do reino animália em espetáculos circenses.

Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para combater os maus-tratos aos animais. Para tanto, urge que o Congresso Nacional torne a Lei de Crimes Ambientais mais rígida, por meio de alterações em seu texto, como a ampliação da pena e do valor da multa para o agressor, a fim de que se diminua os casos de abusos contra esses seres vivos. Ademais, é crucial que os estados brasileiros que ainda permitem o emprego de espécies em espetáculos proíbam esse tipo de utilização, por intermédio da criação e aprovação de leis, com o fito de impedir que os bichos sofram em treinamentos que visam adequá-los às apresentações. Espera-se, com isso, que a violência contra os animais, como vista em 101 dálmatas, permaneça somente na ficção.