Alternativas para combater os maus-tratos aos animais

Enviada em 08/10/2020

O histórico período antropocêntrico iniciado no século XVII criou no homem a falsa sensação de que o ser humano é o centro do universo. Esse sentimento pífio perdura até a atualidade e induz o homem a sentir-se mais evoluído do que outras espécies e, portanto, acredita estar no direito de usufruir dos animais em função de satisfação pessoal, comércio, entre outras formas. Essa situação é fruto da negligência do Estado e da falta de empatia da população para com os animais, por isso torna-se urgente a necessidade de mudar essa realidade repugnante.

Nesse contexto, deve-se considerar a existência de diferentes motivos que explicam essa situação. Inicialmente, pode-se pensar na sensação de impunidade por parte dos agressores, causada pela precária fiscalização das leis já existentes e da falta de meios para denunciar essas pessoas. Essa perspectiva mostrou princípios de mudança em setembro de 2020, quando o presidente Jair Bolsonaro assinou um decreto que aumenta o tempo de detenção dos agressores condenados pela lei 1.905. Contudo, ainda falta um longo caminho a ser percorrido para extinguir os maus-tratos aos animais.

Ademais, outro importante fator que corrobora para o grave cenário de maus tratos é a total falta de empatia da população brasileira que, após escravizar a própria espécie por mais de 300 anos, agora submete outros seres aos seus desejos. O documentário “Blackfish” deixa explícito esse panorama, uma vez que mostra a cruel realidade das baleias orcas e o nível de estresse a que são submetidas para protagonizar shows para o público e gerar milhões anualmente em um parque dos Estados Unidos. No Brasil, a vaquejada é um ótimo exemplo disso, pois touros são covardemente machucados em função da diversão do público e de lucro para o organizador.

Portanto, diante do exposto, é mister que o Estado atue em conjunto com o Ministério da Justiça criando canais de denúncia exclusiva de maus tratos aos animais para agilizar o processo e, também, aumentando a fiscalização. Outrossim, também é preciso que o Senado enrijeça urgentemente as leis para não haver brechas que mantenham o sentimento de impunidade vigente na sociedade. Além disso, é indispensável criar propagandas midiáticas e projetos sociais, principalmente em escolas, visando buscar desde a infância o sentimento de empatia pelo próximo, independentemente da espécie. Dessa forma, gradualmente, os maus tratos aos animais seriam combatidos.