Alternativas para combater os maus-tratos aos animais
Enviada em 28/10/2019
Na obra cinematográfica “Rio”, é representado como a ambição humana é capaz de adotar práticas de maus-tratos aos animais, em virtude do valor comercial ilegal da venda desses animais. Não distante da ficção, hodiernamente, é perceptível a ocorrência de casos de tais ações que ferem a integridade física deles, sejam domésticos, ou silvestres. Destarte, a perpetuação da violência contra os animais demonstra a existência de uma sociedade desprovida de senso moral para com as diversas formas de vida e, por isso é fundamental a adoção de medidas para mitigar a problemática.
Em primeiro plano, cabe abordar que a mudança da visão humana do mundo é fator primordial de tais atrocidades. Desde a formação das primeiras sociedades, prevaleceu um imaginário divino dos animais, visto a atribuição de feições destes à representatividade dos deuses no Egito Antigo. Contudo, após o período renascentista, o homem passou a priorizar o pensamento racional em detrimento do místico e, assim, vivenciou o processo, definido pelo sociólogo Max Weber, de “desencantamento do mundo”, no qual a humanidade se vê livre para subjugar a natureza. Dessa forma, a atual mentalidade acerca do mundo natural contribui para a ampliação do problema.
Outrossim, recentes pesquisas biológicas comprovaram a complexidade do cérebro dos animais e constataram que estes possuem vastas semelhanças psicológicas em relação à espécie humana. Sob esse viés, a prática violenta contra esse ser provido de emoções pode caracterizar-se, igualmente, à agressão promovida em outro humano. Assim, ocorre a transgressão de valores éticos e morais - conceitos abordados pelo filósofo Immanuel Kant - definidos como essenciais para a manutenção de uma sociedade justa e bem desenvolvida.
Portanto, com o intuito de amenizar essa problemática, urge que o Ministério Público, responsável por representar os animais, incentive a criação de promotorias especializadas na defesa animal em todo território brasileiro, por meio da votação de projetos de Lei no Congresso Nacional, a fim de garantir a existência de um órgão que promova a segurança e o direito ao bem-viver dos animais. Ademais, seria viável que o Governo Federal realizasse parcerias com instituições de proteção animal, a exemplo do Instituto Luísa Mell, promovendo assim a ampliação de recursos financeiros para tais ONG’s, oriundos das multas aplicadas a infratores dos direitos animais. Além disso, é essencial que as organizações escolares trabalhem, desde o Ensino Fundamental, a importância do respeito à todas formas de vida, pois como dito por Leonardo da Vinci, “Chegará o dia em que todo homem conhecerá o íntimo dos animais. Nesse dia, um crime contra um animal será considerado um crime contra toda humanidade”.