Alternativas para combater os maus-tratos aos animais

Enviada em 31/10/2019

Machado de Assis, em sua fase realista, teceu críticas aos comportamentos egoístas que caracterizam essa nação. Não longe da ficção, percebe-se aspectos semelhantes no que concerne à questão do maus-tratos aos animais, devido o envolvimento do ser humano na prática da brutalidade. Nesse contexto, torna-se evidente como causas o silenciamento, bem como a negligência do Estado.

É necessário destacar, primeiramente, que a falta de diálogo mostra-se como um dos desafios à resolução do problema. Nesse sentido, Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Desse modo, para que a temática da violência contra os animais seja resolvida, faz-se necessário debater sobre. No entanto, percebe-se uma lacuna no que se refere a esse tema, que ainda é muito silenciado em ambientes como a escola e a mídia e, dessa forma, contribui para o desconhecimento pela população de que tal ato é caracterizado como crime, da lei e das punições para a prática desse tipo de violência. Assim, trazer trazer à pauta esse tema e debatê-lo amplamente aumentaria a chance de atuação nele.

Deve-se abordar, ainda, que o descaso do poder público é alarmante, visto que não se empenha para resolver a problemática. Nessa perspectiva, a crítica de Zygmunt Bauman -de que a sociedade contemporânea caracteriza-se pela “liquidez”, pois não consegue ter firmeza e não se esforça para solucionar nada- cabe perfeitamente. Sob esse viés, pode-se destacar a falta de determinação do Estado para a resolução da crueldade aos animais, em virtude da falta de investimento na expansão do assunto para a população, para que todos fiquem cientes da lei, além da pena para o crime ser branda e haver falha na aplicação. Por isso, o governo precisa investir na causa para mudar a situação.

Fica claro, portanto, que medidas estratégicas são indispensáveis para alterar esse cenário. A fim de que isso ocorra, o governo precisa tomar tomar ciência do contexto e através do MEC e do Ministério da Cultura, deve desenvolver palestras em escolas, para alunos do ensino médio, por meio da abordagem do tópico da maldade contra os animais, conscientizando-os sobre as leis e punições referentes ao crime. Tais palestras terão que ser webconferenciadas nas redes sociais dos dos Ministérios, com o objetivo de trazer mais lucidez sobre o assunto e atingir um público maior. Somado a isso, cabe ao Ministério da Justiça, ser mais rígido na lei, fazendo com que o tempo de prisão, para quem comete o delito, seja maior, exigindo o pagamento da multa e deve fiscalizar se todas as exigências serão executadas conforme a legislação e, dessarte, haverá mais temor na população que influenciará-los a não cometer essa prática.