Alternativas para combater os maus-tratos aos animais
Enviada em 01/03/2020
A obra cinematográfica Dolittle, lançada no início de 2020, exterioriza a história de um médico veterinário que, além de conviver e ter o poder de se comunicar com os animais, tem um cuidado imensurável por eles. No entanto, fora da ficção muitas pessoas não se importam com a vida desses seres. E, mesmo com o empenho em exterminar essa realidade, o combate aos maus-tratos contra os animais retrata um vasto desafio. Pode-se dizer, então, que os costumes da população brasileira e a discrepância das leis vigentes fomenta a perpetuação do quadro.
Convém ressaltar, a princípio, que a cultura à violência contra os animais enraizada na sociedade -sobretudo da região nordestina do país -, evidencia a desumanidade e falta de empatia da nação. Conforme a lei aprovada em 2015 no estado da Paraíba, a vaquejada foi reconhecida como modalidade esportiva, assim, permite-se que essas práticas continuem ocorrendo, eventualmente, sem que as pessoas percebam a crueldade que, de fato, acontece contra os gados e equinos, principalmente. Logo, é indubitável que essa diretriz é apenas uma justificativa para tal negligência, uma vez que além de provocar inúmeras lesões nos bichos, estes não têm liberdade para exercer seu comportamento natural de espécie e a forma de contenção antes das provas e espetáculos já os colocam em estresse. Dessa forma, esses seres “irracionais” são reprimidos apenas para garantir a diversão humana.
Outrossim, há um paradoxo na legislação do Brasil que atravanca a busca de um modo para resolver essa problemática. Segundo Montesquieu, algumas coisas devem ser lei porque são justas, entretanto, isso não funciona no âmbito nacional. Apesar de existir um regulamento que considera esses eventos que espetaculariza a dor dessas criaturas como uma ação cultural, em 1998 foi promulgada uma cláusula que assegura a proteção à fauna, independentemente de ser doméstico ou silvestre. Nessa perspectiva, a contradição das regras faz com que os humanos sintam-se superiores a qualquer outra espécie e os insensibilizam, estimulando os atos de crueldade, como o abandono e a realização de experiências dolorosas, por exemplo. Então, vê-se que o altruísmo precisa ser efetivado.
Infere-se, portanto, que garantir a segurança e a autonomia para esses seres realizar seus respectivos papeis naturais é um obstáculo nacional. Sendo assim, o Estado, com seu papel crucial de garantir o progresso da sociedade, deve atuar em favor dos animais, através da retificação de leis que, disfarçadamente, compactuam para a hostilidade com os bichos. A fim de que indivíduos que promovam esses tipos de espetáculos sejam punidos e a integridade das vítimas sejam asseguradas. Ademais, a mídia, com seu poder de informação, deve atuar em prol da fauna, por meio de propagandas, para que os cidadãos sejam como o protagonista de Dolittle, empáticos com os animais.