Alternativas para combater os maus-tratos aos animais
Enviada em 31/08/2020
O mito da caverna, alegoria escrita por Platão, explica a evolução do processo de conhecimento. Segundo ele, os seres humanos são prisioneiros de uma caverna, em que estão habituados somente a ter uma ilusão do que veem como se fosse a verdadeira realidade. De maneira análoga ao presente, a questão dos maus-tratos aos animais pode ser bem representada pelo mito da caverna, visto que esse é um problema que vive às sombras da sociedade, em razão de suas alternativas estarem presentes na insuficiência legislativa ,bem como na presença de debates sociais que é inexistente.
A priori, é necessário ressaltar que a insuficiência legislativa coopera para a persistência do aumento da violência contra os animais. Consoante a esse pensamento, Hannah Arendt desenvolveu o pensamento da ‘‘Banalidade do mal’’, a qual defende que, quando uma atitude violenta ocorre com frequência e sem questionamento e punição, essa ação passa a ser tratada como trivial. Nesse contexto, quando o Estado negligência tais atitudes e contribui para a impunidade dos agressores, é reforçado de maneira direta tais comportamentos agressivos. Desse modo, é necessário a reformulação da postura estatal.
Além disso, faz-se mister destacar que a falta de debates sociais prejudica a desmitificação da problemática. Neste prisma, o escritor Machado de Assis, na sua obra ‘‘Memórias Póstumas de Brás Cubas’’, trabalha a metáfora da ‘‘ponta do nariz’’, segundo a qual os humanos fixam-se em seus próprios narizes, uma representação clara da crença de superioridade desses indivíduos. À luz disso, a falta de debates sociais ajudam a persistência dessa crença, de modo que o ser humano se considera superior aos animais, se colocando em uma posição de autoridade para maltratar. Dessa maneira, é necessário a implementações de debates sociais para a quebra desse hábito estrutural.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Nesse viés, poder legislativo, junto ao Estado deve criar medidas de investimento em projetos sociais, por meio de um projeto de lei a ser entregue à Câmara dos Deputados. Nela deve constar que investimentos devem ser direcionados a projetos que ajudem a fiscalizar e multar os agressores, com fito de aumentar o número de denúncias e consciência social sobre as consequências dos maus-tratos aos animais, sabendo que o Estado tem papel essencial para a resolução do impasse.