Alternativas para combater os maus-tratos aos animais

Enviada em 16/11/2021

Manoel de Barros, grande poeta pós-modernista, desenvolveu em suas obras uma “teologia do traste”, cuja principal característica reside em dar valor às situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Segundo a lógica barrosiana, faz-se preciso, portanto, valorizar também a problemática dos maus-tratos aos animais, ainda que ela seja estigmatizada por parte da sociedade. Nesse sentido, a fim de mitigar os males relativos a essa temática, é importante analisar a lacuna educacional e a alienação social.           Entende-se, diante desse cenário, que a lacuna educacional influencia as práticas de tratamentos maléficos aos animais. A título de exemplo, o renomado educador brasileiro Paulo Freire defende que o sistema de ensino da nação é majoritariamente bancário, isto é, pouco encoraja o pensamento indagador. Sob essa lógica, consideráveis instituições de ensino, ao passo que priorizam a pedagogia tecnicista - caracterizada pela passividade dos discentes-, não buscam elucidar a criticidade dos estudantes quanto à crueldade com os animais, o que, com efeito, colabora para que muitos indivíduos continuem corroborando tal prática. Logo, enquanto as autoridades escolares se mantiverem negligentes, o revés persistirá.

Além disso, uma grande parcela da população se mostra alienada em relação aos tratamentos maldosos aos animais . O intitulado “Paradoxo da Moral” é um livro escrito pelo musicólogo Vladimir Jankélévitch para exemplificar a cegueira ética do homem moderno, ou seja, a passividade das pessoas frente aos impasses enfrentados pelo próximo. De maneira análoga, percebe-se que esse impasse encontra um forte alicerce na estagnação social. Essa situação ocorre porque, infelizmente, a sociedade não se movimenta em prol da erradicação da problemática, pelo contrário, ela adquire uma posição individualista por não mensurar as consequências que os tratamentos cruéis aos animais trazem consigo, como o desenvolvimento de traumas emocionais e físicos nas vitimas indefesas. Assim, faz-se mister a reformulação dessa postura social de forma urgente.

Compreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o governo federal, com o apoio do Ministério do Meio Ambiente e da Educação, por meio de aulas que discutam sobre o tema, deve implementar, na grade curricular, conteúdos acerca dessas práticas nefastas, a fim de preencher a lacuna educacional brasileira. É necessário, também, exibir propagandas educativas de conscientização sobre a temática nos meios midiáticos. Essas ações serão realizadas com o intuito de promover a erradicação dos maus-tratos aos animais para que a sociedade não naturalize a alienação que a permeia. Dessa maneira, o Brasil deixará de praticar a “teologia do traste”, como proferiu Manoel de Barros.