Alternativas para combater os maus-tratos aos animais
Enviada em 29/09/2020
A animação “101 Dálmatas”, da Disney, apresenta a personagem Cruella De Vil, que objetifica os cães da obra, pois pretende transformá-los em um casaco de pele. Durante todo o filme, a vilã não considera que os animais podem sofrer, já que ela pensa apenas nos seus próprios interesses. Apesar de ficcional, a obra representa parte da realidade na medida em que há pessoas que enxergam seus animais domésticos como objetos, principalmente por acreditarem que são superiores a eles e com isso maltratando esses seres. Ao se avaliar as razões para tamanha adversidade vê-se objetificação dos animais e a superioridade dos indivíduos. Logo, medidas devem ser tomadas quanto a esse impasse.
É indubitável pontuar, inicialmente, um fator determinante relacionado aos maus-tratos a animais domésticos é objetificação que esses seres sofrem por parte da sociedade. Isso ocorre, sobretudo, que muitas pessoas, por associarem cães e gatos, por exemplo, a objetos, ou seja, destituídos de sentimentos, abandonam ou agridem o animal sem refletirem sobre a ação maldosa. Sob esse prisma, o fato em questão relaciona-se à teoria da banalidade do mal, da filósofa Hannah Arentd, a qual defende que, quando uma atitude violenta ocorre com frequência e sem questionamento, ela passa a ser encarada como trivial. Nessa perspectiva, os elevados índices de maus-tratos aos animais evidenciam uma banalização desse ato na sociedade brasileira. Em suma, fica claro reificar o animal doméstico, banaliza os maus-tratos, o que precisa ser modificado.
Em adição, Machado de Assis, em sua obra “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, trabalha a metáfora da ponta do nariz, segundo a qual os homens fixam-se no próprio nariz, uma representação figurada da crença de superioridade dos seres humanos. Analogamente, pode-se afirmar que os indivíduos os quais se sentem mais desenvolvidos racionalmente do que animais domésticos acabam agredindo-os devido à crença de superioridade. Tais pessoas, entretanto, ignoram que, de acordo com a lei, os cães, por exemplo, podem ser considerados seres passíveis de sofrimento, ou seja, podem ser defendidos pelo Estado tal qual os seres humanos. Diante do exposto, é evidente que fixação pelo próprio nariz motiva atos de maus-tratos aos animais, conjuntura negativa que deve ser reduzida.
Portanto, medidas exequíveis devem ser necessárias para conter essa problemática na sociedade. Para tal, com objetivo de mitigar os maus-tratos aos animais domésticos, a mídia televisiva precisa proporcionar debates sobre o tema por meio da criação de um programa voltado para esse assunto. Tal programa deve ser comandado por personalidades famosas que defendem a causa, como a Luísa Mell – ativista dos direitos dos animais -, e devem explicitar as leis que criminalizam o ato de maltratar tais seres. Assim, será possível que pessoas semelhantes à personagem Cruella mudem de postura.