Alternativas para combater os maus-tratos aos animais
Enviada em 09/10/2020
A obra “Vidas Secas”, do escritor modernista Graciliano Ramos, em um dos seus capítulos mais marcantes narra a morte da cachorrinha Baleia, sacrificada pelo seu próprio dono, desconfiado de que o animal estivesse contaminado pelo vírus da raiva. Fora da ficção, o Brasil hodierno passa por uma conjuntura envolvendo a questão do maus-tratos aos animais fato que se deve à normalização da violência e à negligência estatal. Logo, é fundamental analisar ambos os problemas a fim de que se possa contorná-los.
Em primeiro lugar, é notório que a normalização de comportamentos coletivos nocivos afeta a forma de perceber indícios de maus tratos aos animais que vivem nas ruas do país. Nesse sentido, de acordo com o filósofo Arthur Schopenhauer “ a compaixão com os animais está intimamente ligada a bondade de caráter, e quem é cruel com os animais não pode ser um bom homem”. Dessa forma, infere-se que muitos cidadãos não agem de acordo com o conceito, posto que uma parte da população normaliza a existência de cachorro e gatos nos locais públicos, por exemplo, os quais não possuem proteção, alimentação e saúde adequados, assim ocorre a banalização dessa realidade, a qual contribui para a perpetuação dessas formas de agressão. Desse modo, é imprescindível uma alteração de comportamento do corpo social para alterar esse cenário.
Outrossim, é válido destacar a ineficiência do aparato estatal brasileiro no que tange a agressão contra animais no meio urbano. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, a violência contra os animais aumentou 87% em três meses. Essa informação revela a gravidade dos casos, negligenciados pelo Estado, uma vez que essa prática lamentável ainda acontece sem que haja ações coletivas de incentivo ao recolhimento e tratamento dos animais de rua, os quais permanecem sujeitos a crueldade humana todos os dias. Dessa maneira, esses seres permanecem abandonados pelo poder público e pela sociedade em geral. Percebe-se, desse modo, uma letargia governamental ao investir minimamente no combate a essa violência, a qual acaba fomentando sua ampliação.
Portanto, cabe ao Ministério da Educação em parceria com ONGs ligadas à causa, promover palestras e projetos nas escolas compostos por veterinários e auxiliares, com o fito de incentivar a adoção dos bichos abandonados e incitar a importância de respeitar todos os animais. Além disso, o Governo federal em conjunto com a Mídia deve investir em propagandas que visem desnaturalizar os maus tratos a animais e aumentar a penalidade para quem cometer tais atos, com o intuito de inteirar a população sobre o agravamento da questão. Assim, as realidades como a da Baleia e de inúmeros outros animais serão erradicadas.