Alternativas para combater os maus-tratos aos animais
Enviada em 04/10/2020
Na obra literária “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, é mostrado além das questões econômicas e sociais impostas aos indivíduos que fogem da seca do sertão nordestino, a trajetória da cadeia “Baleia”, a qual sofre com a fome e as condições precárias durante o processo de migração com seus donos. Nesse contexto, a ficção literária pode-se relacionar analogamente à realidade brasileira, haja vista que os maus-tratos aos animais ainda é um problema no Brasil. Essa realidade se deve, essencialmente, da normalização da violência, bem como de uma negligência Estatal frente a problemática.
Em primeiro plano, é possível analisar que a normatização de comportamentos coletivos nocivos afeta a percepção dos maus-tratos sofridos pelos animais. Nesse sentido, segundo a filósofa Hanna Arendt, a sociedade passou a banalizar a maldade e a crueldade entre os seres humanos. Desse modo, também se tornou banal a violência praticada contra outros seres vivos: os animais. Dessa forma, a visão cotidiana de cachorros e gatos nos locais públicos, os quais não possuem proteção, alimentação e condições de saúde adequados tornaram normais à população. Logo, a banalização desse quadro, favorece a perpetuação dessas formas de agressões.
De outra parte, a ausência de políticas públicas promovidas pelo Estado influencia no aumento das taxas de agressões contra animais no meio urbano. A esse respeito, segundo o Artigo 32 das Leis Ambientais, fica proibido praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais nativos. No entanto, o Governo é falho em garantir essa premissa, uma vez que a falta de ações coletivas de incentivo ao recolhimento e a não unição dos infratores dessa lei, permite o acontecimento de tal crueldade. Diante disso, esses seres permanecem em situações de abandono pelo poder público e pela sociedade como um todo.
Portanto, é mister que o Estado tome providências que amenizem o quadro. Acerca disso, o Governo Federal deve, por meio de verbas governamentais, criar campanhas midiáticas e televisivas, as quais elucidem a importância de um olhar mais crítico às situações dos animais de rua do país, objetivando que as pessoas não normalizem essa situação e denunciem ou adotem esses pequenos indivíduos. Ademais, se faz necessário que às Organizações Não Governamentais direcionadas à proteção animal, elaborem projetos a serem implantados nós municípios, o qual vise a formação de grupos capacitados para o recolhimento desses animais das ruas, lhes oferecendo condições adequadas de sobrevivência ou um lar adotivo, essa ação pode ser feita através de arrecadações regulares da própria sociedade. Assim, será possível distanciar as barreiras enfrentadas pela cadela “Baleia” da realidade brasileira.