Alternativas para combater os maus-tratos aos animais

Enviada em 06/10/2020

Sob a ótica do filósofo existencialista Jean-Paul Sartre, a violência é sempre uma derrota, seja qual for a maneira como ela se manifesta. Com efeito, percebe-se que o contexto brasileiro atual remete à premissa de Sartre, haja vista os maus-tratos contra os animais. Nesse contexto, faz-se urgente avaliar o papel das indústrias farmacêutica e cosmética e a falta de conscientização popular.

Nessa perspectiva, é lícito postular que a violência contra os animais não é praticada apenas em ambiente doméstico, visto que a utilização dos mesmos é imprescindível em pesquisas e testes científicos. De fato, isso ocorre, pois, experimentos realizados diretamente em humanos poderiam apresentar imensos riscos à saúde do voluntário. Entretanto, apesar da legalidade do uso de animais para desenvolver novos remédios e tratamentos, muitas empresas não seguem as normas impostas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Desse modo, métodos antiéticos baseados na crueldade e na violência são aplicados em animais de laboratório, assim como eram feitos os experimentos nazistas em humanos durante o Terceiro Reich.

Por conseguinte, deve-se avaliar o desconhecimento da população acerca do que é considerado violência contra animais. Decerto, a lei prevê que, além do abuso físico, prisão em cativeiros sem condições de higiene ou alimentação, brigas de galo e a possessão de animais silvestres também são formas de maus-tratos contra animais. Segundo a Polícia Civil, aproximadamente 147 casos de maus-tratos contra animais foram denunciados por semana na cidade de São Paulo em 2016. Sendo assim, depreende-se que, com uma população alerta acerca das mais variadas formas de violência contra animais, o número de denúncias aumentaria e, desse modo, a problemática seria extinta. É imprescindível, portanto, buscar soluções para esse impasse.

Para tanto, compete ao Ministério do Meio Ambiente ampliar a fiscalização dos testes científicos realizados em animais. Essa ação deve ser feita por meio de verbas governamentais, com o fito de garantir que os preceitos da Anvisa sejam cumpridos e, logo, evitar que animais sofram em prol da ciência e do capitalismo. Outrossim, urge que ativistas políticos realizem mutirões em vias públicas e em redes sociais, por meio da mobilização popular pacífica. Essa ação objetiva confrontar o descaso das autoridades em relação à falta de políticas públicas para conscientizar a população acerca dos maus tratos contra os animais. Assim sendo, a violência citada por Sartre contra os animais será erradicada do Brasil.