Alternativas para combater os maus-tratos aos animais

Enviada em 15/10/2020

O filósofo francês Sartre defende que cabe ao ser humano escolher seu modo de agir, pois este seria livre e responsável.  No entanto, percebe-se a irresponsabilidade da sociedade no que concerne à questão do crescimento do número de maus-tratos contra animais no Brasil.  Dessa forma, observa-se que a problemática reflete um cenário desafiador, seja em virtude da impunidade, seja pela má influência midiática.

Em primeiro plano, é preciso atentar para a impunidade presente na questão.  Nessa perspectiva, a máxima de Martin Luther King de que a “a injustiça em um lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo lugar” cabe perfeitamente.  Sob essa lógica, pode-se notar que as pessoas que praticam esse tipo de violência, mesmo sendo acusadas e denunciadas, na maioria das vezes, não estão sendo devidamente punidas e responsabilizadas por tal ato.  Desse modo, tem-se como consequência a generalização da injustiça e o sentimento de repugnância coletiva no que tange ao combate aos maus-tratos contra os animais nesse país.

Em segundo plano, pode-se apontar como um empecilho à consolidação de uma solução a má influência midiática, no sentido de silenciar o problema.  Conforme Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão.  Nesse contexto, pode-se observar que a mídia, em vez de promover debates que elevem o nível de informação da população sobre a problemática, influencia na consolidação do problema, silenciando ainda mais seres sem voz e fazendo com que se torne cada vez mais recorrente esse tipo de agressão.

Por tudo isso, faz-se necessária uma intervenção pontual do problema.  Assim, especialistas no assunto, com o apoio de ONGs também especializadas, devem desenvolver ações que revertam a má influencia da mídia sobre o debate do aumento no número de maus-tratos. Tais ações devem ocorrer nas redes sociais, por meio da produção de vídeos que alertem sobre as reais condições da questão, comparando o tratamento que a mídia dá com relatos de pessoas que de fato vivenciaram tal problema. É possível, também, criar uma “hashtag” para identificar a campanha e ganhar mais visibilidade, a fim de conscientizar a população sobre as consequências do tratamento que determinados canais de comunicação dão ao assunto. Talvez, assim, poder-se-á construir um país de que Sartre pudesse se orgulhar.