Alternativas para combater os maus-tratos aos animais

Enviada em 10/11/2020

Desde o período da alfabetização da população, é muito comum o uso de histórias que colocam os animais como vilões - como é o caso da “Chapeuzinho Vermelho” ou dos “Três porquinhos”. Assim, isso faz com que essa ideia errada seja reforçada no imaginário das pessoas ao longo da vida e justifica uma cultura de maus tratos a esses seres. Nesse sentido, entre as principais causas para esse problema, estão o hábito histórico de naturalizar a violência aos animais e a valorização econômica em detrimento dessas vidas, que impede sanções efetivas. Dessa forma, urge uma intervenção para que esse entrave seja amenizado.

Em primeira análise, deve-se atentar para como a construção histórica desse hábito passou a naturalizá-lo. Já na Roma Antiga, cavalos, leões, tigres eram feitos de “motores” de carruagens de corrida ou expostos no Coliseu para confrontar prisioneiros (após serem presos e deixados sem alimento por dias), que torna clara a despreocupação com os animais. Apesar de tamanha evolução, atualmente, essa banalização ainda é uma realidade, já que, por se tratar de seres irracionais e de um costume, as pessoas presumem a inferioridade deles e não reconhecem que isso é violar o direito à vida desses indivíduos. Nesse viés, é necessário romper esses paradigmas e preocupar-se com a biodiversidade, uma vez que ela é importante para a harmonia do planeta.

Além disso, com o modelo capitalista em evidência, a questão econômica se mostra acima de qualquer outra e faz com que, os maus-tratos sejam invisibilizados. Como aconteceu com o filme “Água para elefantes”: ao mostrar a violência animal pelo circo, desperta indagações sobre como os bastidores lidavam com a elefante, se a tratavam com cuidado ou faziam o que criticavam; descobriu-se como foram hipócritas, mas por se relacionar a uma bilheteria de sucesso, o caso logo foi esquecido. Desse modo, casos menos famosos também são comuns e a justiça os ignora igualmente, visto que pessoas e empresas de grande poder aquisitivo conseguem burlar a lei por meio de chantagens e propinas, por exemplo. Logo, a fiscalização mostra-se ineficiente e precisa ser menos corrupta.

Portanto, para que os maus-tratos aos animais deixem de ser uma realidade recorrente, é necessária uma tomada de atitude. Para isso, cabe ao poder Executivo - órgão responsável por colocar a lei em prática - intensificar a inspeção de crimes de agressão a esses seres, por meio do uso de escutas em investigações desse tipo de crime, a fim de evitar propinas e chantagens. Ademais, as escolas também devem trocar as histórias que possuem animais como maus, para que não haja a continuidade dessa cultura de maus-tratos tão naturalizada ao longo da vida da população e, assim, todos os seres do planeta atinjam uma convivência harmoniosa.