Alternativas para combater os maus-tratos aos animais

Enviada em 12/11/2020

O livro Vidas Secas de Graciliano Ramos, autor da 2ª fase modernista, retrata a grande afeição da família de retirantes sertanejos pela cachorra Baleia, que era devidamente valorizada, mesmo em tempos de seca e fome. Todavia, em análise à hodiernidade, infelizmente, essa não é uma realidade que atinge a totalidade do âmbito nacional, uma vez que os maus-tratos aos animais e são acobertados pelo costume de tais hábitos da sociedade, suscitando a perpetuação do problema. Nesse sentido, cabe analisar a ideologia de superioridade do homem em relação à natureza bem como a falta de informação sobre o assunto como causas do problema, que será solucionado com um projeto eficiente.

Primeiramente, é indubitável que a ideia humana de poder sobre o meio ambiente é a principal razão para o abuso aos animais. Sob viés sociológico, o ecofeminismo, discorre a partir da empatia de mulheres pela natureza, ao passo que aquelas sofrem pela opressão do ideal de superioridade masculina, e esta deteriora-se pela ideia de superioridade humana. Assim, à medida que o indivíduo detém poder máximo no meio em que vive, e não se vê como parte dele, ocorrem os inúmeros abusos aos animais, exemplificados por tortura física, abandono, precariedade do local de estadia, dentre outros descuidos que provocam dores, solidão bem como uma vivência desprezível, fatores esses, que urgem serem erradicados.

Outrossim, a falta de conhecimento sobre o assunto é um outro fator a ser analisado. Consoante com Tomas Hobbes, importante filósofo inglês, “conhecimento é poder”. No entanto, visto que apenas uma pequena parcela da população possui instrução a respeito dos direitos dos animais, o poder para efetuar as denúncias se torna igualmente escasso, pois a sociedade reconhece os maus tratos mas se adapta à cultura da conformidade por não ter a instrução de que se tratam de atos criminosos. Dessa forma, sem as devidas punições, as atitudes são perpetuadas, mostrando que o governo deve tomar medidas de conscientização para que o problema seja amenizado.

Diante o exposto, é incontendível que há impasses para a garantia do bem estar animal.  Nesse viés, o IBAMA, em conjunto com as Secretarias de Educação dos municípios, deve elaborar um projeto que conscientize e promova maior conhecimento sobre as leis que defendem os animais, por meio de palestras públicas, campanhas midiáticas e aulas nas instituições de ensino básico. Tais aulas serão ministradas mensalmente, integradas com a disciplina de biologia, e a partir do Ensino Fundamental II, os alunos poderão identificar os crimes e encaminhar denúncias, para que, com tais medidas, a população como um todo possa reivindicar uma maior qualidade de tratamento aos animais.  Destarte, assim como Baleia, os animais serão, em maior abrangência, devidamente valorizados.