Alternativas para combater os maus-tratos aos animais

Enviada em 11/11/2020

No filme “Sempre ao seu lado”, de 2009, há um retrato do que é a demonstração de amor de um animal doméstico, que, mesmo após a morte de seu dono, o espera por 10 anos na estação de trem que sempre utilizava. Diferente dos animais, grande parte dos humanos, ao invés de retribuir com o mesmo amor e carinho, trata os animais com violência e desprezo e, ainda pior, tendo consciência de que está fazendo mal. Destarte, é possível identificar o sentimento de impunidade vigente e a grande lucratividade financiada pelo tráfico ilegal de animais silvestres como fatores que fomentam o problema

De início, é importante salientar que, de acordo com uma pesquisa realizada pelo IBOPE, em 2019, 92% das pessoas entrevistadas já presenciaram cenas de maus-tratos, no entanto, apenas 17% desse grupo denunciou. Ou seja, as pessoas veem a violência contra animais acontecendo, mas simplesmente ficam inertes, fato que dificulta o combate ao problema e contribui para o aumento do número de casos devido a falta de punição aos criminosos. Além da violência física, outro fator muito triste e comovente é a prática do abandono, na qual o animal recebe cuidados e se apega ao seu tutor, para em seguida ser desprezado e deixado em um lugar sozinho, com medo, passando fome e sede a espera do retorno de seu dono, sem entender o que está acontecendo.

Outra grande preocupação é o comércio ilegal de animais que, segundo a Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), estima-se que todo ano 38 milhões de espécies sejam retiradas da natureza brasileira, quantidade responsável por movimentar cerca de 3 bilhões de reais. Nesse caso, os animais são transportados em condições precárias, como caixas apertadas, falta de higiene, sem alimentos, e  muitas vezes morrem antes de seu destino final, que pode ser para colecionadores, zoológicos ou até mesmo a morte, para terem sua pele ou outras partes do corpo expostas como troféus. Infelizmente, o Brasil, por ter uma das maiores biodiversidades do mundo, é o país mais explorado pelo contrabando de animais, justamente pela fiscalização ineficiente.

Infere-se, portanto que é fundamental reverter este cenário de negligência com requintes de crueldade no qual o ser humano acredita poder fazer o que bem entender com outras espécies. Para isso, é imprescindível que o Ministério das Comunicações propague em todos os meios de comunicação informações alertando sobre a importância da denúncia contra os maus-tratos de animais, juntamente com relatos do sofrimento dos animais quando não são bem tratados para sensibilizar a população. Ademais, é necessário que o Ministério do Meio Ambiente atue juntamente com o IBAMA, ICMBio, e ONG’s no intuito de fiscalizar de forma mais assídua a prática ilegal de comércio de animais, financiando projetos, equipamentos e garantindo a punição efetiva desses criminosos.