Alternativas para combater os maus-tratos aos animais
Enviada em 30/11/2020
Para o filósofo Voltaire, os animais são seres dotados de sentimentos e aflições e que, assim como os seres humanos, devem ter suas vidas preservadas e respeitadas. Partindo desse pressuposto, nota-se que as idiossincrasias da população brasileira não se alinham ao pensamento do escritor, uma vez que a violência cometida contra animais é um problema hodierno. Em vista disso, é necessário discutir os maus-tratos enfrentados por esses seres.
Inicialmente, convém destacar que estruturalmente há uma naturalização da agressão contra animais, pautada na ideia falaciosa de que eles são desprovidos de emoções e sensações. No musical “Cats”, é retratada uma cena em que os gatos - protagonistas da trama - são violentados por um humano que atira uma bota com intenção de feri-los. Ainda que ficcional, esse acontecimento é reflexo da realidade vivida pelos animais; de acordo com pesquisa realizada pelo Ibope, 92% dos brasileiros relatam ter presenciado bichos em situação de maus-tratos, dado alarmante que ratifica a banalização da barbárie.
Outrossim, a objetificação desses seres também contribui com a visão de que sua função é de agir como entretenimento ou até mesmo como um “brinquedo”, sem possuir necessidades fisiológicas e psicológicas. Consequentemente, esses bichos se tornam vítimas da negligência de seus donos, em especial os domésticos, que ao perceberem que tratos e cuidados são precisos, os abandonam e os colocam em uma posição ainda mais suscetível de serem agredidos - desta vez, no entanto, sob o estigma de animais de rua, ostracizados e vistos perante à sociedade como óbices. Em 2018, o portal G1 noticiou que um cachorro de rua foi envenenado e espancado até a morte dentro de um dos supermercados da rede Carrefour por um funcionário, crime que foi cometido sob ordem do dono da filial; o caso, não obstante a comoção nacional, exemplifica o ciclo e a manutenção da violência desses seres.
Portanto, diante das problemáticas expostas, depreende-se a urgência de uma ação combativa do Estado em parceria com ONGs ativistas pelos direitos dos animais, mediante a criação de uma operação de localização e resgate de bichos em situação de maus-tratos para que estes sejam acolhidos, tratados e postos para adoção em feiras públicas que não apenas teriam o intuito de garantir um lar para essas criaturas, como também promoveriam oficinas de cuidados básicos voltadas aos interessados no processo de adoção. Ademais, campanhas de conscientização através das mídias encorajando denúncias de violência animal estimulariam um senso ético e de responsabilidade na população, tratando o enfrentamento ao problema de maneira coletiva. Destarte, o respeito aos animais é cultivado dentro do imaginário popular, assegurando os direitos básicos desses bichos.