Alternativas para combater os maus-tratos aos animais
Enviada em 08/12/2020
O filme “101 Dálmatas”, da Disney, retrata a história de vários filhotes de dálmatas que seriam usados para a fabricação de casacos de peles, a fim de atender os desejos da vilã Cruella de Vil. Fora da ficção, essa conjuntura de exploração animal é vista com frequência na esfera social, haja visto o contínuo maus-tratos aos animais. Em vista disso, a falta de ações do Poder Público corroboram para o acréscimo desse cenário, além dos abusos de criadouros de cães para motivar a procriação.
Em primeiro plano, é importante ressaltar a omissão dos poderes políticos em relação ao desenvolvimento de ações para conter os maus-tratos aos animais. Nesse sentido, o sociólogo Zygmunt Bauman, em sua obra “Modernidade Líquida”, afirma que algumas instituições - dentre elas o Estado - perderam sua função social, mas conservaram sua forma a qualquer custo e se configuram como “instituições zumbis”. Sob essa ótica, é notório que essa metáfora proposta por Bauman é válida para a entidade do Poder Legislativo, em virtude de certas leis de maus-tratos não serem totalmente garantidas para a proteção dos animais, tendo em conta a incessante impunidade dos infratores. Logo, é necessárias políticas públicas para intervir na expansão desse panorama.
Ademais, outro aspecto a ser abordado é o fato da exploração de animais em criadouros para efetivar no aumento da procriação. Nessa perspectiva, segundo o sociólogo Karl Marx, “Em um mundo capitalizado a busca pelo lucro ultrapassa valores éticos e morais”. Sob esse viés, é evidente que para aumentarem o lucro, criadores de cães buscam realizar o acréscimo de filhotes, por meio da reprodução, para serem vendidos pela internet e em pet shops. Dessa forma, os animais são obrigados a viverem em condições insalubres e forçados a procriar no limite de suas forças. Assim sendo, é fulcral a mudança desse cenário totalmente retrógado.
Depreende-se, portanto, a relevância da criação de alternativas para combater os maus-tratos aos animais. Cabe ao Poder Legislativo implantar leis mais rígidas no que diz respeito aos maus-tratos em animais, por intermédio da Câmara de Deputados, com o intuito de expandir a punidade aos infratores que cometem tal crueldade. Além disso, o Ministério de Meio Ambiente deve impor ao Estado o monitoramento de criadouros de cães, por meio de fiscalização mensais, com o objetivo de identificar a exploração de animais e, assim, reduzir esse ato de abusos para fins lucrativos. Desse modo, será possível conter episódios de maus-tratos somente na ficção do filme “101 Dálmatas”.