Alternativas para combater os maus-tratos aos animais
Enviada em 25/12/2020
No livro " A Revolução dos Bichos" do escritor George Orwell, os animais de uma fazenda, após anos de constantes mais tratos sofridos, tomam o poder dos humanos e assumem o controle da propriedade. Fora da ficção, no entanto, no Brasil, ainda são presentes os aumentos no número de casos de mais tratos a animais. Tal problemática está fundamentada não só pela ineficiência de leis que versam sobre a violência contra animais, mas também pela influência histórica do hábito de subjugar e maltratar esses seres.
Em primeira análise, é indubitável que a ineficiência de medidas legislativas que tratam de casos de abuso animal emerge Como fator promotor desse impasse. De acordo com o conceito de banalidade do mal, proposto pela pensadora alemã Hannah Arendt, a ausência ou ineficiência de ações que regulam o convívio social favorecem o advento de comportamentos agressivos e autoritários, os quais são nocivos para a sociedade. Logo, é evidente que embora o Brasil possua uma das mais elaboradas constituições, nela estão presentes muitas lacunas que comprometem o exercício pleno da cidadania. Além disso, é inquestionável que a influência histórico-cultural permeia de maneira direta e negativa os constantes casos de agressão contra animais. Desse modo, segundo o antropólogo Claude Levy Strauss, para entender os problemas contemporâneos de uma sociedade, é necessário conhecer os processos socioculturais que lhe serviram de influência. Logo, é notável que a tradição colonial de valorizar a força de trabalho do animal em detrimento da sua vida alimenta e perpétua esse fenômeno social nefasto.
Portanto, depreende-se que medidas fazem-se necessárias para a superação desse entrave. Cabe ao Ministério da Educação, pois, em parceira com os governos municipais, a elaboração de programas sociais que por meio da realização de palestras ministradas por profissionais como biólogos e médicos veterinários, possibilitem uma mudança na mentalidade popular acerca do valor da vida animal. Com isso, espera-se consolidar uma sociedade na qual episódios como os retratados em “A Revolução dos Bichos” não estarão presentes.