Alternativas para combater os maus-tratos aos animais

Enviada em 05/01/2021

De acordo com Peter Singer, o especismo é o conceito segundo o qual é justificável dar preferência à população humana em oposição à fauna  simplesmente pela superioridade das pessoas. Nesse sentido, uma série de atos violentos contra os animais são cometidos com o fundamento de que os interesses do homem devem ser priorizados. Dessa forma, é necessário compreender o cenário que propicia os maus-tratos com os animais a fim de alterá-lo.

Em primeira análise, até 2019 os animais eram definidos como bens móveis pela Carta Magna brasileira. Apenas no referido ano os bichos passaram a ser classificados como seres senscientes e dotados de sentimentos. A partir dessa postura atrasada do Estado brasileiro, é indubitável o caráter especista ainda presente na sociedade, que se reflete, por exemplo, na conduta dos cidadãos ao tratar com descaso seus animais de estimação. Prova disso é a triste estatística revelada pelo G1, a qual mostrou a presença de cerca de 170 mil animais, entre cães e gatos, em abrigos. Essa situação é consequência do comportamento irresponsável de diversos tutores, os quais, quando se propõe a adquirir um bicho de estimação, muitas vezes o fazem sem considerar todas as responsabilidades acarretadas por tal escolha.

Em sengunda análise, há ainda a urgente questão dos animais silvestres. Segundo a Organização das Nações Unidas, o tráfico desse tipo de animal é a terceira atividade ilícita mais rentável do mundo, ficando atrás apenas do tráfico de drogas e de armas. Essa situação estarrecedora se demonstra ainda mais preocupante a partir de comunicados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), que relacionam a retirada de espécies de seus habitats naturais com o aumento da transmição de zoonoses para seres humanos, tais como a tuberculose e a raiva. Ademais, a fauna contrabandeada é submetida a condições de alto estresse, o que provoca a morte da maioria dos animais retirados da natureza ilegalmente. Ainda sengundo a ONU, cerca de 38 milhões de animais são retirados de seus ambientes naturais, mas apenas 4 milhões chegam a ser comercializados.

Logo, é necessário que o IBAMA e a Polícia Militar façam valer a Lei de Crimes Ambientais do país, a qual criminalizou o abandono e os maus tratos de animais, com o fito de reduzir o número de cães e gatos em abrigos. Outrossim, as escolas devem trabalhar a importância de valorizar a vida de todos os serer e atuar conjuntamente com o IBAMA para desestimular a compra de animais silvestres por meio de campanhas que envolvam os alunos e seus familiares. Desse modo, a vida desses seres será preservada e o comércio ilegal também será desestimulado, visto que haverá uma retração de todo este mercado. Somente assim, o ser humano habitará o globo em harmonia com as demais espécies.