Alternativas para combater os maus-tratos aos animais
Enviada em 06/01/2021
“Dumbo”, filme da empresa “Disney”, retrata com grande vivacidade os abusos e maus-tratos sofridos pelos elefantes no circo, a fim de se criar um espetáculo para a população esses animais sofrem incontestáveis humilhações. Para além das telonas, a realidade dos bichos não é diferente, isso não se evidencia apenas pelo uso deles para entreternimento, mas também pelo abandono promovido por muitos donos de pets. Com efeito, é preciso alcançar alternativas para reverter essa caótica conjutura e promover um panorama distante daquele sofrido pelo Dumbo e seu grupo no filme infantil.
Em uma primeira análise, sob a ótica social, a violência contra os animais em espetáculos ergue-se como subproduto da busca incessante por lucro das companhias responsáveis por essa crueldade. Isso porque o bicho não nasce adestrado para desempenhar as atividades propostas pelos humanos, logo, para se adequar o animal ao espetáculo é utilizado a força, o que ocorre por meio de abusos psicológicos e pelo emprego da violência. Segundo o artigo 3 da Declaração dos direitos dos animais da Unesco, nenhum animal poderá ser submetido a maus-tratos e a atos cruéis, com essa restrição, é vedado a exploração dos pets com fins lucrativos, responsáveis por provocar dor e aflição às criaturas envolvidas. Dessa forma, o combate a essa prática é fundamental para reduzir a barbárie desumana.
Ademais, em segundo plano, a correria da vida moderna fomenta o abandono dos animais domésticos. Essa correlação pode ser estabelecida devido ao estilo de vida da maioria da população, a qual desempenha vários papéis ao longo do dia, restando pouco tempo para passar com seus pets, o que acastela sofrimento e dor ao melhor amigo do homem. Zygmunt Bauman, nesse sentido, em sua obra “Modernidade Líquida”, demonstra que a sociedade atual é liquefeita, ou seja, as relações socias são supérfluas e os amores rasos, sendo assim, nem mesmo os bichos ficam de fora dessa relação, uma vez que são vistos, muitas vezes, como objeto passível de descaso e, consequentemente, não recebem a atenção a qual merecem. Dessa maneira, a secundarização da relação entre dono e pet precisa ser mitigada para contornar essa problemática no cotidiano.
Torna-se evidente, portanto, que a solução para cessar os maus-tratos da fauna é combater a exploração e o abandono dos bichos. Para promover esse quadro, é preciso que o Poder Executivo faça, em parceria ao Ibama, a criação de um orgão que fiscalize a situação dos animais. Isso deve ser feito por meio da contratação e treinamento de funcionários capazes de avaliar a condição do animal, além de atuar multando aqueles que descumprirem as regras- como empresários que humilham animais em seus espetáculos e donos que abandonam seus pets-, a fim de puni-los. Espera-se, assim, que os maus-tratos sofridos por Dumbo e seu grupo pertençam apenas ao plano ficcional.