Alternativas para combater os maus-tratos aos animais
Enviada em 15/01/2021
No livro da autora Clarice Lispector, " A hora da estrela “, retrata a história de uma jovem nordestina chamada Macabéa, que é privada de necessidades básicas, como alimentação adequada e higiene. Fora da ficção, é indiscutível que a história de Macabéa coincide com a cultura de maus-tratos a animais, no Brasil. Assim, é lícito afirmar que interesses econômicos na venda de animais silvestres e a falta de denúncia da população contribuem consideravelmente a problemática. Nesse contexto, percebe-se a consolidação de um grave problema, que deve ser analisado e sanado de forma urgente.
Em primeira análise, é importante abordar que a exploração turística dos animais e a venda ilegal de espécies silvestres são um dos principais empecilhos para solucionar a problemática. Nesse sentido, o pensador Karl Marx afirma que a priorização do bem pessoal, em detrimento do bem coletivo, gera inúmeras dificuldades para a sociedade. Destarte, pode se afirmar que a busca do lucro proveniente da venda ilegal de animais selvagens, o uso de tranquilizantes em animais em prol do turismo e a rinha de galos, negligenciam o bem-estar desses seres e a acondicioná-los a viver em ambientes degradantes. Contudo, é necessário o apoio do Poder Público para reverter essa situação.
Outrossim, a falta de denúncia da população em prol de resgatar animais abandonados e em locais deteriorados fomentam a cultura de maus-tratos a animais. De acordo com a filósofa alemã Hanna Arendt, em " A banalidade do mal”, refletia sobre a massificação da população, na qual é incapaz de realizar julgamentos morais. Contudo, torna-se necessário e urgente a conscientização dos indivíduos sobre as formas de denunciar casos de maus-tratos e abandono, combatendo a massificação da população e em muitos casos a conivência em permitir casos de violência a animais, sem denunciar.
Portanto, torna-se imperativo que se desenvolvam medidas de controle do problema. Nessa perspectiva, cabe ao Ministério da Justiça tornar a lei sancionada mais rígida e com maior efetivação. Isso deverá ocorrer por meio de contratação de funcionários públicos e especialistas ambientais, para aumentar a fiscalização em zoológicos e no combate das rinhas de galos. Além disso, a implementação de centros de denúncias a maus-tratos em locais públicos para facilitar e garantir que a população ajude a combater o problema. Dessa forma, a problemática será resolvida a longo prazo e os animais não serão mais comparados com a história de Macabéa, personagem da autora Clarice Lispector.