Alternativas para combater os maus-tratos aos animais
Enviada em 15/01/2021
Um dos capítulos mais marcantes de “Vidas Secas”, do escritor modernista Graciliano Ramos, narra a morte da cachorra Baleia, sacrificada pelo próprio dono, desconfiado de que o animal estivesse contaminado pelo vírus da raiva. De maneira análoga, essa situação de maus-tratos é presente na realidade brasileira, seja na vida de animais silvestres ou domésticos. Diante disso, entre as diversas causas a serem combatidas, o pensamento da supremacia antropocêntrica e o tráfico de animais, destacam-se como as principais e, por isso, devem ser analisadas mais atentamente.
A princípio, convém enfatizar o discurso enraizado no senso comum de que os seres humanos são os seres vivos mais importantes, agrava ainda mais o problema. Nesse sentido, de acordo com a ONU, 1 milhão de espécie (entre animais e plantas) estão em extinção, e o alto índice de desmatamento já provocou o desaparecimento de espécie de maccacos. Nessa lógica, nota-se que os animais, muitas vezes, são maltratados indiretamente, como as tartarugas marinhas, que morrem asfixiadas por sacos plásticos nos oceanos, ao cometer o descarte incorreto do lixo, sem pensar nos bichos, além de também está se prejudicando, uma vez que todo ecossistema se desequilibra.
Outrossim, é imperativo destacar, a participação dos animais no capitalismo, movimentado pelo tráfico de animais. Segundo o filósofo alemão, Immanuel Kant, “Podemos julgar o coração do homem pela forma como ele trata os animais”. Partindo desse pressuposto, é importante salientar que as esferas governamentais do nosso país, negligenciam os cuidados com os animais, contribuindo para o aumento dos maus-tratos, uma ação que é considerada a terceira maior atividade ilícita do mundo, e que gera uma grande rede de pessoas envolvidas em negociações clandestinas, principalmente pela alta lucratividade.
Evidencia-se, portanto, a necessidade de ações interventivas para barrar os maus-tratos aos animais. Para tanto, o IBAMA - órgão estatal brasileiro, responsável por este setor - deve realizar fiscalização mais frequente e severas, a fim de que se garantam os direitos dos animais. Além disso, ONGs internacionais, como a WWF, devem realizar campanhas nas redes sociais, para mudar a visão antropocêntrica ainda presente na sociedade. Com isso, espera-se que todos os animais tenham suas vidas preservadas, mantendo um ecossistema harmônico.