Alternativas para combater os maus-tratos aos animais

Enviada em 06/05/2021

No filme ´´ Okja``, uma menina luta contra uma indústria de carne que altera o material genético de suínos, visando o lucro com o abate desses porcos modificados. Embora seja uma ficção, o longa-metragem intersecta uma problemática que aflige o Brasil: os maus-tratos aos animais. À vista disso, é essencial analisar a normalização da crueldade e o consumismo como principais agravantes desse cenário.

Em princípio, a culturalização da crueldade animal é preocupante para o viés ambiental no país. A esse respeito, a pensadora alemã, Hannah Arendt, afirmou que, quando uma ação violenta é repetida cotidianamente, o ser humano tende a normaliza-la. Nesse sentido, percebe-se que algumas práticas que contribuem com os maus-tratos a esses seres vivos são mantidas na sociedade por terem sido normalizadas ao longo do tempo, um exemplo disso é a vaquejada – um evento visto como cultura e também como esporte, mas que promove a exploração de animais bovino em troca do entretenimento e do lucro. Desse modo, nota-se que é de extrema importância que o governo invista na descontração de hábitos que promovam a degradação da fauna brasileira.

Ademais, o consumo desenfreado é outro fator que piora o cenário em questão. Sob essa ótica, o filosofo Hans Jonas reconhece que, em uma sociedade tecnológica, é essencial pensar nos desdobramentos de nossos atos, a curto e longo prazo, para a coletividade. No entanto, na realidade que há forte domínio do consumismo, esse preceito defendido pelo autor é negligenciado. Logo, vê-se que, por exemplo, o consumo de mercadorias produzidas em detrimento do sofrimento animal aumenta no território nacional, o que diretamente se liga aos maus-tratos, já que a sociedade não presencia a violência, mas contribui com ela.

Dessa maneira, conclui-se que é importante combater os maus-tratos contra a fauna brasileira. A fim disso, é necessário que o Ministério do Meio Ambiente, juntamente com o Governo Federal, criem um projeto, que atuará em duas frente, chamado ´´ Salve os bichos``. Nessa perspectiva, a primeira frente deverá focar na mudança da mentalidade popular, por meio de campanhas que desconstruam temáticas, como: a normalização da violência contra os animais e os impactos do consumismo na natureza. Já a segunda linha se comprometerá em promover o consumo consciente e ambientalmente responsável, isso deverá ocorrer através de incentivos fiscais que estimulem um modelo de produção sustentável. Posto isso, será possível resolver essa problemática que aflige o Brasil.