Alternativas para combater os maus-tratos aos animais

Enviada em 07/09/2021

Em meados do século XX, o escritor austríaco Stefan Zweig fugiu de seu país sob ameaça nazista, e encontrou refúgiu sob território canarinho. Impressionado com o potencial da nova casa, teceu uma obra literária intitulada “Brasil, país do futuro”, a qual aponta para a possibilidade de uma nação próspera nas próximas décadas. No entanto, quando se observa a questão dos maus-tratos aos animais, nota-se que o ideário exposto por Stefan não saiu do papel. Com efeito, há de se analisar a negligência estatal e social na manutenção do problema.

Diante desse cenário, é fulcral pontuar a omissão estatal na persistência da problemática. Sobre isso, Zygmunt Bauman - sociólogo polonês do século XX - elaborou o conceito de “Instituição Zumbi”, o qual evidencia que o Estado perdeu sua função social, mas manteve - a qualquer custo - sua forma. Nesse sentido, o Poder Público brasileiro se enquadra na teoria de Bauman, tendo em vista seu papel passivo em ofertar maior proteção aos animais, bem como punições mais efetivas aos infratores, responsáveis por ferir o princípio democrático de proteção à vida. Desse modo, observa-se que, enquanto o óbice denunciado por Bauman se mantiver, a sociedade será obrigada a conviver com um dos mais sérios problemas do século: os maus-tratos aos animais.

Ademais, cabe destacar o quão prejudicial é a inércia coletiva no combate ao problema. Nesse sentido, a obra “Paradoxo da Moral” de Vladimir Jankélévitch - célebre musicólogo francês - evidencia a cegueira moral e ética do homem, que apresenta-se de maneira ainda mais latente no século XXI, na denominada sociedade do desempenho, em que a individualidade sobrepõe o altruísmo. Consoante a isso, pode-se traçar um paralelo entre o livro de Vladimir e a questão dos maus-tratos aos animais, tendo em vista a falta de engajamento social em denunciar casos de maus-tratos, prover auxílios e doações voluntárias às clínicas de reabilitação. Assim, nota-se que esse problema ocorre em virtude da falta de ativismo social inerente ao século XXI, própria das relações individualistas retratadas pelo musicólogo.

Isto posto, é imperiosa a ação de ONGs (Organizações não governamentais) na resolução do impasse. Para tanto, o Instituto Ethos, aliado ao “Akatu” (Associações destinadas à concepção de uma comunidade sem conflitos), devem pressionar o Poder Executivo, por meio de campanhas nas redes sociais, de modo a exigir que, nas escolas - responsáveis pela educação cidadã - ocorram projetos pedagógicos acerca da imprescindibilidade de combater os maus-tratos aos animais, bem como sobre a necessidade de denunciar tais casos, de modo que ocorra a massificação do tema na coletividade, além de maior conscientização social e uma diminuição no número de casos de desleixo e crueldade no cuidado aos animais. Dessarte, a ideia de Zweig deixará de ser ficção e, finalmente, será efetivada.