Alternativas para combater os maus-tratos aos animais
Enviada em 29/09/2021
No filme “Ilha dos Cachorros”, de Wes Anderson, a ilha do lixo passou a ser o destino de milhares de cães abandonados, expulsos por estarem doentes. Além disso, na região insular, também ocorriam experimentos, os quais lesionaram os cães que lá viviam. Ainda que seja uma obra ficcional, a reflexão é pertinente à situação do Brasil hodierno: maus-tratos aos animais são uma triste constante, que só se mantém pela noção de superioridade humana, somada à ineficiência do Estado em garantir a legislação.
Em primeira instância, o filósofo Peter Singers, em seu livro “Libertação Animal”, define o especismo como a inferiorização de espécies não humanas. Essa ideia é intensa na sociedade brasileira, posto que as negações de consciência e de sensibilidade aos bichos são o que motivam as agressões -seja por meio de violência física - como espancamentos - ou pelo abandono - segundo a OMS, no Brasil há cerca de 30 milhões de cães e gatos sem lar. Assim, o desamparo que os cachorros sofrem naquela obra não faz parte de uma realidade distante, uma vez tanto as emoções quanto os danos que o sofrimento e a solidão podem causar ao animal, são ignorados pela sociedade.
Contudo, como disse o escritor George Orwell, em “A Revolução dos Bichos”, “todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais do que outros”. Essa ideia mostra como os maus-tratos são o reflexo do país, tendo em vista que as leis de proteção ambiental - entre ela o artigo 225 da Constituição Federal de 1988 - são preteridas. Como exemplo, a persistência da espetacularização da violência - por meio das vaquejadas, consideradas costume tradicional, mas que causam lesões físicas aos bois- e o fomento ao agronegócio, o qual possui criadouros degradantes - frangos têm bicos serrados, bezerros são separados das mães -, para fins alimentares. Portanto, é “culturalmente aceitável” violar a vida de outras espécies em prol do bem-estar humano.
Destarte, é necessário que ONGs, como a Desabandone, se alie à mídia televisiva e virtual em uma campanha de conscientização. Esse projeto precisa ocorrer por meio de curtas-metragens e depoimentos - de pessoas que trabalham com resgate de espécimes e das que adotaram-, além de mostrar a realidade dos shows que exploram animais, a fim de informar a população, gerar engajamento e desconstruir o especismo. Ademais, o Poder Legislativo deve fazer um Projeto de Lei que crie imposto sobre as vendas de bichos; registro de tutela; multas consistentes por abandono e violências; maior fiscalização sobre empresas produtoras de carne. Com essas medidas, todos os animais serão realmente iguais.