Alternativas para combater os maus-tratos aos animais

Enviada em 18/10/2021

Na obra “Galactolatria: mau deleite”, a filósofa Sônia Felipe aponta ao leitor, de forma crítica, a política e a cultura alimentar, baseadas na exploração e matança de vacas e bezerros, evidenciando implicações éticas e ambientais. A obra de Sônia, aborda uma realidade brasileira que não restringe-se somente a situação das vacas, pois apesar de conquistas no que refere-se aos direitos dos animais, a situação ainda é análoga a escravidão. Isso ocorre,  por implicações financeiras ou devido pensamentos antropocêntricos. Dessa forma, é imperioso que essa chaga social seja resolvida.

Sob essa análise, é evidente a contribuição financeira obtida a partir da exploração animal. Nesse contexto, de acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, há previsão de 330,1 bilhões de reais obtidos por meio da pecuária em 2021. Além disso, o interesse financeiro é o que sustenta petshops que, na maioria das vezes, a cadela encontra-se em condições precárias e é utilizada apenas como objeto reprodutor, sem respeitar seus limites fisiológicos e seus filhotes expostos em gaiolas como mercadorias inanimadas. Fica claro, que a contribuição financeira proveniente da relação de exploração entre o homem e os animais é o principal condicionante da “escravidão” destes na contemporaneidade.

Ademais, acredita-se que o homem, a espécie mais racional já conhecida, é detentora de todo o poder e, portanto, todas as demais espécies devem, obrigatoriamente, ser utilizadas em benefício destes. A partir disso, surgiu o termo “especismo”, discriminação interiorizada entre seres humanos, acostumados desde que nasceram a fazer uso de produtos e benefícios gerados a partir da exploração animal. Tal pensamento, é consoante a Teoria do Habitus, formulada pelo sociólogo francês Pierre Bordieu, que reflete sobre costumes impostos, naturalizados e, posteriormente, reproduzidos pelos indivíduos. Sendo assim, medidas são necessárias para alterar a reprodução desenfreada de hábitos, prevista por Bordieu, que afetam negativamente muitos animais.

Portanto, visto os desafios associados à proteção animal, são necessárias medidas para combatê-las. Diante disso, o Governo Federal, poder executivo no âmbito da união, precisa aumentar fiscalizações em locais que funcionam obtendo lucros com animais, por meio de exigências de cuidado humanizado e de regulamentação com o IBAMA ou secretarias específicas, com objetivo de diminuir a exploração animal nas diferentes esferas. Além dessa medida, faz-se necessáro a desconstrução de que os humanos - mamífero como qualquer outro - é detentor de todas as outras espécies. Mediante a essas ações concretas, deixaremos de tomar decisões por puro “Habitus” e a abolição dos animais requerida por Sônia Felipe poderá ser alcançada.