Alternativas para combater os maus-tratos aos animais

Enviada em 30/10/2021

Na animação A Dama e o Vagabundo, de 1955, é retratada a história de dois cachorros que se apaixonam. Um deles se encontra em situação de rua e sofre com uma série de maus-tratos no seu dia a dia. No Brasil, atualmente, a situação não é diferente. De acordo com o Instituto Pet Brasil, há 4 milhões de animais em condição de vulnerabilidade no país. Desta forma, estes crimes, que englobam âmbitos sociais, econômicos e culturais, devem ser combatidos com medidas legistativas e judiciárias.    Em primeira instância, é válido frisar o papel econômico na exploração animal. Karl Marx, sociólogo alemão, defende a fetichização de mercadorias, em que seu valor, não apenas financeiro mas também simbólico, torna-se a razão da existência humana. Devido a este comportamento imposto pelo sistema capitalista, a vida animal foi reitificada, ou seja, coisificada e comercializada. Reproduções compulsórias para venda de filhotes, comércio ilegal de espécies silvestres e exploração em testes de laboratório são alguns dos exemplos em que o lucro foi posto como prioridade em relação à vida de um ser vivo. Desta forma, fica evidente que os maus-tratos animais são regulamentados a partir do momento em que representam benefício financeiro, com a fabricação de produtos em detrimento do sofrimento animal, e prestígio social, por meio da aquisição de animais de raça ou exóticos que costumam ter um alto preço.

Outrossim, questões sociais e culturais também influenciam e ajudam a propagar o abuso animal. Após a consolidação dos pensamentos antropocêntricos com o Iluminismo, o homem passou a ser visto como centro -de inteligência e consciência- de todo o universo. Deste modo, o ser humano passa a se aproveitar de toda a natureza de maneira desenfreada e sem preocupações. Em consequência desse pensamento de superioridade humana, animais são maltratados, abandonados e abusados por meio de atitudes já normalizadas pela sociedade e, até mesmo, com apelo cultural, como é o caso de rodeios e vaquejadas. Contudo, para Arthur Schopenhauer, filósofo alemão, o homem apenas é superior aos outros animais por ser capaz de compadecê-los e não por os fazer sofrer de forma que comprova que os maus-tratos não devem ser propagados.

Fica evidente, portanto, que o abuso de animais é enraizado na sociedade por uma série de motivos mas, ainda assim, deve ser combatido com muito ímpeto. A fim de dar melhores condições a todos os “vagabundos”, é necessário que o Ministério do Meio Ambiente, em parceria com as Secretarias Estaduais, intensifiquem o cumprimento das leis já existentes, iniciem campanhas publicitárias de vinculação nacional de conscientização da população na preservação do bem estar dos animais e criem canais estaduais de disk denúncia contra maus-tratos vinculados com a Polícia Ambiental.