Alternativas para combater os maus-tratos aos animais
Enviada em 09/11/2022
Gregório de Matos, poeta luso-brasileiro, ficou conhecido como “Boca do Inferno” por denunciar, de maneira ácida e satírica, as mazelas que assolavam a cidade de Salvador, na Bahia, no século XVII. Sob essa ótica, ao se deparar com uma sociedade marcada pelo malogro do especismo, o autor, certamente, teceria críticas acerca desse cenário trágico. Ainda nesse viés, cabe ressaltar que essa desventura é calcada na morosidade do Estado e na lacuna educacional.
De início, há de se constatar a inércia governamental enquanto mantenedora desse revés. Segundo dados da Sociedade Protetora dos Animais, cerca de 4 milhões de animais são comercializados ilegalmente por ano. Nessa perspectiva, é evidente que o Estado falha em criar leis que coibam essa prática, sendo necessário, portanto, leis que extrapolem o plano teórico sejam expressivas na atenuação do problema.
Outrossim, também é relevante analisar como a falta de conhecimento contribui nessa temática. Nesse sentido, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Isso justifica a outra causa do problema: se as pessoas não têm acesso à informação séria sobre os níveis estrondosos de maus-tratos aos animais, sua visão será limitada, consolidando mais um empecilho à solução do problema. Diante do exposto, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Destarte, urge a necessidade de intervenções para solucionar esse impasse. Para tanto, cabe ao Poder Executivo, órgão supremo administrador da nação, o dever de criar oficinas públicas, com o objetivo de coletar dados informar e educar a população acerca da problemática especista. Realizado isso, por meio desses dados, é possível implementar políticas públicas direcionadas a mitigar tanto os inúmeros casos de maus-tratos aos animais quanto a negligência estatal. Em síntese, mesmo que não haja resolução imediata para a lacuna educacional, com a reversão desse quadro, o “Boca do Inferno”, definitivamente, cessará suas críticas ao tecido civil brasileiro.