Alternativas para combater os maus-tratos aos animais

Enviada em 09/03/2024

Apesar de ser problemática, a canção “atirei o pau no gato” é amplamente difundida entre os infantes, o que é prejudicial, já que sua letra incentiva os indivíduos em formação a adotarem um comportamento abusivo contra os animais. Nesse sentido, a propagação musical dessa chaga revela a banalização dos maus-tratos a tais seres, que sofrem com o avilte enraízado no corpo coletivo. A partir desse contexto, é fundamental entender o que tem motivado a normalização dessa violência para a criação de alternativas que rompam com tal cultura popular.

Sob esse viés, a ingerência estatal é um óbice para a ressignificação da relação entre homem e bicho. Isso ocorre porque há ausência de punição efetiva para pessoas que cometam atrocidades, como o espancamento, já que a pena de reclusão é muito pequena quando comparada com a tipificada para outros crimes. Nessa perspectiva, a teoria do Contrato Social, defendida por Thomas Hobbes evidencia que a falhabilidade governamental reside na incapacidade de regular a ação dos homens, o que fomenta a continuidade da violência. Dessa forma, verifica-se a reprodução de tal pensamento no país, uma vez que a impunidade aumenta a recorrência da brutalidade humana contra as outras espécies, pela falta de consequências legais. Logo, urge reverter a inércia federativa diante desse cenário nefasto.

Além disso, a influência familiar também é a causa para a persistência desse quadro aviltante. Tal fator é agravante porque, segundo Talcott Parsons, a parentela é capaz de moldar personalidades. Nesse viés, lares que desrespeitam os direitos dos bichos incentivam, pelo convívio, a repetição de tal comportamento nas crianças em desenvolvimento, que verão a repressão empregada como ferramenta para a imposição de disciplina, perpetuando o sofrimento de cães e gatos. Assim é importante combater essa visão geracional deturpada.

Portanto, medidas são necessárias para minimizar a trivialização dos maus-tratos contra os animais. Para isso, cabe ao Ministério da Justiça, órgão responsável por regular a sociedade, por meio da revisão de leis, reforçar a criminalização dessa prática agressiva, com o fito de desvincular tais atos hediondos da cultura do país, distanciando, enfim, a realidade dos bichos da música popular difundida.