Alternativas para driblar os efeitos do avanço das variantes da Covid-19 no Brasil
Enviada em 27/08/2021
De acordo com Sérgio Buarque de Holanda, sociólogo nacional, o brasileiro é “cordial”, haja vista que suas atitudes são impulsionadas por questões emocionais. A partir dessa perspectiva, compreende-se o motivo de as pessoas, durante o contexto da pandemia do Coronavírus, desrespeitarem o isolamento social, o que facilitou a disseminação e a mutação do vírus. Destarte, é fundamental entender quais são os riscos do avanço das variantes no país e os empecilhos para reduzir o aumento, um fim de encontrar alternativas realistas que driblem esses efeitos.
Em primeiro plano, é válido destacar que a circulação das variantes permite que o patógeno adquira novas características, o que causará, possivelmente, o aumento da fatalidade e a perda de eficiência das vacinas. Sob esse viés, a biologia define “virulência” como a capacidade do microorganismo em causar danos, potencialmente mortais, aos humanos. Dessa maneira, enquanto as cepas continuam se reproduzindo na sociedade, a chance de que ganhem atributos é exponencial, pois seus mecanismos de multiplicação são, frequentemente, alvos de mutação. Essas alterações podem ter diversos resultados perigosos, entre os quais pode-se citar, sintomas mais graves - insuficiência respiratória e enfarto do miocárdio - e redução da proteção da imunização ativa, uma vez que esta “ataca” regiões específicas do vírus, de modo que, se eles mudam, a eficácia pode ser perdida.
Ademais, em segundo plano, vale ressaltar que o avanço das variantes persiste pela irresponsabilidade dos sujeitos. Segundo o filósofo Hans Jonas, o “Princípio da Responsabilidade” consiste na reflexão das consequências das atitudes individuais, coletivas, a curto e longo prazo. Dessa forma, indo de encontro com o teórico e reforçando a ideia de “homem cordial”, diversos brasileiros, durante a Pandemia do Covid-19, não tiveram sensatos, porque não queriam usar máscaras e, tampouco, respeitar o isolamento social. Tal comportamento egoísta revela que eles não pensaram que esse tipo de conduta permitira que a doença infectasse todo o corpo social, de maneira que não só os irresponsáveis foram contaminados, mas também aqueles que seguiram as diretrizes sanitaristas.
Portanto, torna-se claro que, para que seja possível encontrar alternativas que minimizem os efeitos do progresso das cepas, é imprescindível que o Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, crie propagandas que estimulem a população a aderir às medidas de contenção da doença, por meio do uso de depoimentos de pessoas recuperadas que se arrependeram das suas atitudes irresponsáveis, como quais colocaram a vida de outros, em risco também. Assim, os brasileiros serão guiados positivamente pela sua cordialidade e o país dará um primeiro passo para driblar os impactos das variantes.