Alternativas para inclusão social dos portadores de necessidades especiais

Enviada em 17/05/2019

Preconceito. Ausência do Estado. Desafios cotidianos. Eis a realidade dos portadores de necessidades especiais no Brasil. Sob o viés filosófico, a análise da violência simbólica estudada por Pierre Bourdieu enquadra-se nesse contexto, uma vez que a negligência dos agentes públicos acarreta graves prejuízos aos deficientes físicos, não sendo uma violência física, mas sim, moral e psicológica. Diante disso, sabe-se que lidar com tais adversidades não é algo fácil e, diante de tais perspectivas, cabe discorrer sobre alternativas para uma melhor inclusão desse grupo na sociedade brasileira.                   Primeiramente, é sabido que grande parte das instituições de ensino, sobretudo em municípios mais afastados dos grandes centros, não oferece acessibilidade e condições para receber cadeirantes. Dessa maneira, a conclusão da formação escolar como obstáculo é realidade, no Brasil, para esse grupo e dados oferecidos pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) comprovam que mais da metade dos deficientes não possuem, sequer, o Ensino Fundamental completo. Nesse sentido, incluir esses indivíduos na sociedade e mercado de trabalho se torna um imenso desafio e faz-se necessário maiores investimentos dos setores públicos e privados para adequação dos portadores de necessidades especiais tanto nas escolas, quanto nas atividades laborais.

Ademais, fora no âmbito escolar, há ainda as dificuldades enfrentadas no cotidiano, como o uso de transporte público, deslocamento em calçadas e acesso a locais sem elevadores adaptados. Sob esse prisma, o deficiente físico encontra problemas para se dirigir ao seu local de trabalho ou instituto educacional e esses empecilhos podem comprometer a inclusão desses indivíduos, uma vez que pouco suporte é oferecido pelas autoridades. Além disso, a fiscalização quanto a esses quesitos, que são obrigatórios perante a Constituição vigente, é precária e, assim, a negligência das prefeituras e demais agentes nega os direitos dos deficientes, sendo relevante maior atenção às leis existentes.                          Pode-se perceber, portanto, que para uma inclusão mais justa e eficaz dos portadores de necessidades especiais é imprescindível que haja alternativas para burlar os obstáculos presentes. Diante disso, o Ministério da Educação e Cultura deve, em conjunto com o Poder Legislativo, fazer valer com mais severidade as leis já válidas quanto a obrigatoriedade das escolas em oferecer adequada estrutura aos deficientes físicos, como elevadores, salas e banheiros adaptados, além de oferecer atividades, sobretudo do campo esportivo, para inclusão desses no meio social. Não obstante, as prefeituras de todas as cidades devem fiscalizar com mais eficiência, com o auxílio de guardas municipais, o trânsito, fiscalizando vagas e calçadas destinadas aos cadeirantes e transportes públicos, com o intuito de zelar pela maior acessibilidade desse indivíduos.