Alternativas para inclusão social dos portadores de necessidades especiais
Enviada em 13/06/2020
No “Sítio do Picapau Amarelo”, obra literária escrita por Monteiro Lobato, a boneca de pano,Emília, recebe uma “pílula falante” e, com isso, deixa de ser um brinquedo passivo e se torna, intelectualmente, emancipada para escreve sua própria história. Fora da ficção, os portadores de necessidades especiais são incapazes de escrever ativamente sua história, tendo em vista a falta de acessibilidade e a invisibilidade social desse grupo, de cidadania violada. Nesse contexto, o acesso à educação e a representatividade midiática dessa comunidade são as “pílulas falantes” capazes de empoderar os deficientes físicos e mentais, tornado-os mais atuantes e integrados na coletividade.
Em uma primeira análise, é necessário salientar que a educação é um direito fundamental, garantido pela Declaração Universal dos Direitos Humanos. Entretanto, no Brasil, a suposta garantia não abrange ,eficientemente, portadores de necessidades especiais, uma vez que a maior parte das instituições de ensino público e privado não possuem estrutura e didática para incluir deficientes físicos ou mentais. Nesse sentindo, é necessário que as escolas capacitem seus funcionários, para que eles possam dialogar com esse grupo. Além do mais, os materiais didáticos também devem ser reformulados para pessoas com deficiência visual e mental, acompanhando o desenvolvimento intelectual deles,com avaliações condizentes com sua situação. Essa garantia de acesso à educação ,por portadores de necessidades especiais, deve ocorrer porque, segundo Paulo Freire, a educação deve preparar o indivíduo para ser autônomo ,criticamente, e cidadão atuante, emancipando-o da passividade e tornando-o coletivamente integrado.
Ademais, cabe ressaltar que, para a inclusão social efetiva de portadores de necessidades especiais, é necessário que eles sejam representados pela mídia. Uma vez que, segundo o filósofo alemão Theodor Adorno, a indústria cultural veiculada pela mídia é capaz de massificar ideias e costumes, quase que validando-os. Nesse sentindo, para visibilizar esse grupo e mostrar suas reivindicações é fundamental que eles sejam apresentados em um dos aparatos mais fortes de formação de opinião, atualmente, a mídia.
Por fim, algumas medidas devem ser efetivadas para a inclusão social de portadores de necessidades especiais no país. De primeira, o MEC, financiado por um fundo de investimento do Governo Federal, deve garantir que as escolas públicas tenham espaços adaptados para a maior variabilidade de deficiências físicas e mentais, além de, com o apoio de empresas de editoras, materiais lúdicos devem ser feitos para atender a esse público. Ademais, o MP deve assegurar que as escolas privadas estão com espaços adaptados. Por último, a Ancine deve fazer filmes com deficientes.