Alternativas para inclusão social dos portadores de necessidades especiais

Enviada em 28/10/2020

De acordo com o filósofo canadense Ervin Goffman, na “Teoria do Estigma Social”, em uma sociedade padronizada aqueles que não se encaixam aos padrões prestigiados acabam estereotipados e, consequentemente, excluídos da sociedade. De forma análoga, no contexto social vigente, a realidade não se diferencia do pensamento filosófico, uma vez que portadores de necessidades especiais enfrentam desafios para serem inclusos, seja pelas estruturas inadequadas de acesso a locais públicos e privados, seja pelas poucas ofertas de emprego para essa parcela da sociedade.

Vale ressaltar, de início, a falta de acessibilidade como causa do problema em questão. Nesse viés, dificuldades para locomoção, tais como: falta de rampas, pistas de qualidade, banheiros e restaurantes inadequados, além da ausência de ônibus equipados, impede a efetivação do Artigo 5, da Constituição federal de 1988, que assegura que todos são iguais perante a lei. Nesse contexto, é retratado no filme “Como eu era antes de você”, um jovem deficiente físico que enfrenta imbróglios diariamente para frequentar locais que antes faziam parte da sua rotina.

Cabe destacar, ainda, que a falta de acesso à educação e ao mercado de trabalho impede a resolução da problemática. Segundo o site “Gestão escolar”, apenas 26% das escolas públicas são acessíveis a pessoas com deficiência. Ademais 6,5 milhões de brasileiros enfrentam problemas como analfabetismo por falta de acesso ao conhecimento em Braile e falta de capacitação profissional. Somado a isso, a falta de informação ao público sobre a importância da inclusão de pessoas especiais e a desconstrução de preconceitos enraizados baseados em desconfiança com relação à capacidade de produção e eficiência também são questões a serem resolvidas.

Portanto, em vista dos elementos supracitados, é necessária a intervenção do Governo e entidades diversas. Logo, compete ao governo federal, em parceria com o Ministério das Cidades, investir em acessibilidade, por meio de melhoria e criação de estruturas adequadas, como asfaltamento, rampas, sistemas de aviso sonoro em semáforos, a fim de devolver ao cidadão o direito de ir e vir que lhe é garantido por lei. Ainda, empresas públicas e privadas devem desenvolver mais oportunidades de empregos, por meio de projetos inclusivos, com a finalidade de aumentar o número de deficientes no mercado de trabalho. Por fim, é atribuição do Ministério da Educação fazer um aprimoramento escolar, focado na educação de pessoas com algum tipo de deformidade, seja psicológico, físico, anatômica, por meio da capacitação de profissionais e recursos específicos, a fim de garantir educação para todos.