Alternativas para inclusão social dos portadores de necessidades especiais
Enviada em 12/11/2020
Na mitologia grega, Sísifo foi condenado por Zeus a rolar uma enorme pedra morro acima eternamente. Todos os dias, Sísifo atingia o topo do rochedo, contudo era vencido pela exaustão, assim a pedra retornava à base. Hodiernamente, esse mito assemelha-se à luta cotidiana dos deficientes brasileiros, os quais buscam ultrapassar as barreiras as quais os separam do direito à equidade social. Nesse contexto, não há dúvidas de que a inclusão dos portadores de necessidades especiais é um desafio no Brasil o qual ocorre, infelizmente, devido não só à negligência governamental, mas também ao preconceito da sociedade, o que exige reflexão urgente.
Deve-se destacar, de início, a inobservância do Governo como um dos complicadores do problema. A Constituição Federal de 1988 foi baseada no sonho de bem estar social para todos os indivíduos, inclusive os deficientes. Todavia, o Poder Executivo não efetiva esse direito. Consoante Aristóteles no livro “Ética a Nicômaco”, a política serve para garantir a felicidade dos cidadãos, logo se verifica que esse conceito encontra-se deturpado no Brasil à medida que a oferta não apenas da inclusão social, como também da preparação do número suficiente de professores especializados no cuidado com deficientes não está presente em todo o território nacional, fazendo os direitos permanecerem no papel.
Outrossim, vale salientar que a situação é corroborada pelo preconceito da sociedade. Tristemente, a existência da discriminação contra deficientes é reflexo da valorização dos padrões criados pela consciência coletiva. No entanto, segundo o pensador e ativista francês Michel Foucault, é preciso mostrar às pessoas que elas são mais livres do que pensam para quebrar pensamentos errôneos construídos em outros momentos históricos. Assim, uma mudança nos valores da sociedade é fundamental para transpor as barreiras à inclusão social dos portadores de necessidades especiais.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Urge que o Ministério da Educação (MEC) crie um projeto para ser desenvolvido por meio das escolas o qual promova palestras, apresentações artísticas e atividades lúdicas a respeito do cotidiano e dos direitos dos deficientes. – uma vez que ações culturais coletivas têm imenso poder transformador – a fim de que a comunidade escolar e a sociedade no geral – por conseguinte – conscientizem-se. Desse modo, a realidade distanciar-se-á do mito grego e os Sísifos brasileiros vencerão o desafio de Zeus.