Alternativas para inclusão social dos portadores de necessidades especiais
Enviada em 13/01/2021
Em Esparta, sociedade guerreira da Grécia Antiga, as crianças com deficiência eram mortas ou abandonadas a partir da premissa de que um indivíduo com dificuldades físicas seria um fardo para a pólis. Paralelamente a este período, no Brasil contemporâneo, as pessoas com deficiência (PcD) são alvo de discriminações, sendo tratadas como seres inconvenientes, o que torna crucial intervenções para promover a inclusão social. Nesse sentido, cabe incentivar a visibilidade do paraesporte e desconstruir o preconceito da sociedade contemporânea.
Em primeira análise, o esporte é capaz de exercer um papel transformador na sociedade. A exemplo disso, pode-se citar o documentário “Paratodos” que retrata a história de atletas paraolímpicos brasileiros que, apesar de suas limitações físicas, possuem grande rendimento esportivo, além de apresentarem a capacidade de vivenciar o dia a dia como os demais indivíduos da sociedade. Visto isso, a divulgação do paradesporto se torna uma ferramenta essencial para alertar a população que atitudes discriminatórias para com as pessoas cegas, surdas, cadeirantes, dentre outras não passam de atos intolerantes, que prejudicam profundamente a inclusão social desse grupo. Dessa maneira, é incoerente qualquer tipo de discriminação com os deficientes físicos, haja vista que eles são aptos para desenvolver sua vida em sociedade como qualquer outro indivíduo, tal como é mostrado no documentário.
Além disso, é necessária a ruptura do preconceito vigente entre o corpo social contemporâneo. A esse respeito, segundo a filósofa Simone de Beauvoir, a invisibilidade social é uma característica da sociedade moderna, a qual valoriza alguns indivíduos em detrimento de outros que acabam sendo esquecidos ou excluídos. Nesse viés, o desprezo e a depreciação que são direcionados às PcD potencializam o conceito denunciado pela filósofa, revelando um cenário, em que as deficiências físicas se transformam em motivos para a inferiorização e para a exclusão. Assim, enquanto a discriminação for a regra, a inclusão social será a exceção.
Logo medidas são fundamentais para promover a devida inserção social das pessoas com deficiência. Portanto, faz-se necessário que o Ministério da Cidadania, incentive a realização e divulgação de campeonatos paradesportivos, por meio da montagem de times que deverão disputar, anualmente, jogos a nível estadual e federal, tal como futebol de cego e vôlei sentado. Espera-se, com isso, motivar a sociedade a se inteirar das condições das PcD e, consequentemente, perceber que as deficiências não devem ser justificativas para a invisibilidade social. Dessa forma, será possível estabelecer a inclusão dos deficientes e impedir que eles sejam tratados como um fardo espartano.