Alternativas para inclusão social dos portadores de necessidades especiais
Enviada em 02/09/2021
Consoante ao sociólogo francês Michel Foucalt, em sua obra “Corpo e Poder, há uma padronização de comportamentos que leva à exclusão de corpos desviantes. Nesse sentido, nota-se que essa teoria ameaça as alternativas para inclusão social dos portadores de necessidades especiais no Brasil. À luz desse enfoque, é fulcral ressaltar que isso ocorre devido à inoperância estatal e à letargia social.
Diante desse cenário deletério, cabe salientar, a indiligência governamental no espectro brasileiro. Nesse viés, em conformidade com o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, algumas instituições, na pós-modernidade, configuram-se como zumbis, pois largaram suas respectivas incumbências sociais. Dentro dessa lógica, é possível observar que o Ministério da Educação se tornou uma corporação zumbi, dado que não apresenta êxito perante as ações e políticas públicas que incluam, desde a tenra idade, os portadores de necessidades especiais nas escolas. Isso é perceptível, lamentavelmente, pelos discursos públicos do Ministro da Educação atual, o qual afirma que crianças diferentes atrapalham o aprendizado das outras, embora, sob o ponto de vista educacional, conviver com essas pessoas desde o ensino fundamental auxilia na formação de caráter e respeito ao próximo. À vista disso, infere-se que a ineficácia da máquina administrativa estatal inviabiliza ações concretas que resolvam o tema e cerceia os portadores de necessidades especiais a uma realidade de exclusão socioeducacional.
Além dessa mácula governamental, também são preocupantes as origens e consequências da ignorância social. De certo, para o filósofo espanhol Adolfo Vázquez, o aumento da frequência de um determinado evento fomenta, erroneamente, sua naturalização. Com efeito, é indubitável que, infelizmente, há uma simetria entre essa teórica ação indiferente e a realidade, haja vista que os brasileiros normalizaram o afastamento social de pessoas com deficiências, o que gerou frutos como a estigmatização e redução da inclusão social dos portadores de necessidades especiais. Isso posto, depreende-se a grande importância da atitude do corpo social, pois, enquanto a sociedade for inerte, essa segregação sociocultural será banalizada e alternativas para mudar esse cenário, desprezadas.
Dessarte, fica claro que a inoperância estatal, aliada à ignorância social, é a gênese desse revés. Assim, o Ministério da Educação deve fazer campanhas de conscientização sobre a importância de inclusão social dos portadores de necessidades especiais desde a tenra idade, por meio de mídias de ampla abrangência, como blogs em redes sociais, a exemplo do Instagram e do Facebook, a fim de fazer com que o corpo social deixe sua inércia. Outrossim, esse instituto deve facilitar a inclusão de pessoas com deficiências nas escolas, com o fito de desenvolver, na sociedade, valores éticos que auxiliem o próximo. Espera-se, com isso, que não haja mais discursos excludentes como do Ministro.