Alternativas para inclusão social dos portadores de necessidades especiais
Enviada em 24/04/2024
Embora o Estatuto das Pessoas com Deficiência assegure o direito à inclusão social,percebe-se que, na atual realidade brasileira, não há o cumprimento dessa garantia,principalmente no que diz respeito à socialização desse grupo vulnerável. Isso se deve ao silenciamento social sobre o discurso capacitisca,bem como à segregação social.
Primeiramente, vale destacar que o preconceito contra pessoas com deficiência fomenta a dificuldade de isonomia social. Nessa perspectiva, Jean Paul Sartre afirma, em sua obra “O ser e o nada”, que existe o conceito conhecido como “Acomodação Social”, segundo o qual existe alguns temas sociais que são banidos da discussão coletiva.Nessa concepção de Sartre, a discussão acerca do capacitismo, embora seja relevante para as pessoas com necessidades especiais,não recebe a devida importância.Tal negligência é observada na exclusão de portadores de deficiência para realização de tarefas, pois, na maioria da vezes, são considerados inúteis para realizá-las, seja no trabalho, em casa ou escola. Um exemplo disso é a série “Bom Doutor” que retrata as dificuldades de um médico autista que sofre preconceito e que precisa , diariamente, provar ser capaz de realizar suas tarefas laborais. Assim, o silenciamento social sobre as práticas capacitistas contribui para a perpetuação desse quadro deletério.
Ademais, a segregação social dá ensejo ao preconceito a esse grupo vulnerável. Nesse cenário,Zygmunt Bauman afirma, em sua obra “Medo Líquido”, que alguns grupos sociais são mortos simbolicamente, pois estão de corpo presente na sociedade, porém ela não os enxergam como cidadãos e ignora suas necessidades básicas. Tal falecimento simbólico é percebido na segregação dos portadores de necessidades especiais no ambiente escolar, haja vista que esses indivíduos são marcados pelo isolamento imposto pela falta de acessibilidade material, social e cultural. Desse modo, a segregação social fere não somente a dignidade humana, mas também o mínimo existêncial para aqueles que necessitam.