Alternativas para melhorar o sistema educacional no Brasil

Enviada em 28/03/2019

Paulo Freire, patrono da educação brasileira, em sua obra “Pedagogia do Oprimido”, afirma que a educação muda os indivíduos, e indivíduos mudam o mundo. Hodiernamente, entretanto, apesar dos avanços recentes, a educação no Brasil, enquanto política social, perfaz-se de iniquidades perniciosas que a fazem de um todo, ineficaz. Discuti-la, no entanto, é pensar em alternativas e possibilidades que dignifiquem o indivíduo, que concedam acesso pleno à cidadania, e de fato, invistam no futuro da nação.

É fundamental ressaltar a princípio que, a educação ao longo do processo de construção do Brasil nunca foi prioridade e sempre esteve ligada a uma camada abastada da sociedade, como aponta Sérgio Buarque de Holanda em “Raízes do Brasil”. Percebe-se, desta forma, um reflexo da desigualdade do país em suas escolas. Repensar a realidade é empoderar a população, quebrando uma cadeia perniciosa, fomentando a busca por direitos, como saúde, moradia, trabalho, renda, e a construção conjunta de uma realidade menos adversa. A educação, desta forma, é a única arma eficiente para ascensão social e humana.

Por outro lado, é necessário repensar a formação precoce de material humano, com direcionamento ainda no ensino básico, com vistas à ciência e tecnologia, que abarque metodologias que possam preparar as crianças para o mundo complexo de hoje, em uma sociedade que vive a economia do conhecimento. Para isso, necessita-se de ações efetivas que entreguem mais escolas em tempo integral, estimulem leitura, ofereçam novas tecnologias, valorizem a figura do professor, desenvolvam projetos que unam a escola, família e comunidade, e formem pensadores e cidadãos. Assim, a educação cumprirá seu papel.

Isto posto, portanto, uma medida viável seria a formulação de projetos, pelo Ministério da Educação, que viabilizem a implantação de bolsas de iniciação científica já no ensino médio, visando a ingresso e o engajamento precoce de jovens na pesquisa e inovação, mitigando a evasão escolar e criando , desta maneira, vínculos com a universidade. Bem como, a ampliação da oferta de escolas em tempo integral na totalidade das escolas públicas do país, pelos governos federal, estadual e municipal, potencializando o papel transformador da escola, com a eventual valorização dos diversos atores envolvidos neste processo. Para que, enfim, não se caia na tese do oprimido, e que finalmente, se possa mudar indivíduos. E esses, o mundo.