Alternativas para melhorar o sistema educacional no Brasil
Enviada em 20/10/2017
“O Ateneu”, de Raul Pompéia, contextualiza o sistema escolar decadente do século XIX. Nesse modelo, a escola, sob o pretexto de formar cidadãos plenos, dissemina apenas a moral dominante da sociedade, sem se preocupar com a capacidade transformadora da educação. Dois séculos depois, as escolas e universidades do Brasil ainda passam por problemas graves. Nesse sentido, a desigualdade no acesso à educação e a metodologia inadequada são questões a serem solucionadas no sistema educacional brasileiro.
Em primeiro plano, os métodos empregados no sistema educacional brasileiro não propiciam a construção de conhecimento. Nesse sentido, para Paulo Freire, grande pedagogo brasileiro, a educação com a participarão efetiva dos aluno é vital para o sucesso na formação desses jovens. Entretanto, os professores, geralmente, possuem o monopólio da palavra, sem incentivar debates e discussões da realidade com os alunos. Assim, como diria Freire, o Brasil vive uma “educação bancária”, em que o professor deposita seus conhecimentos no aluno e se retira.
Além disso, a ausência da universalização efetiva do direito à educação é um problema evidente no sistema educacional. Nessa perspectiva, apesar de ser garantido na Constituição de 88, o acesso à educação não é possível para toda a sociedade. Isso ocorre devido a exclusão social de inúmeras crianças e adolescente, que, geralmente, por serem mais pobres, precisam trabalhar para suprir o déficit na renda familiar. Essa necessidade pode levar a evasão escolar, que possui índices alarmantes de 11%, de acordo com o Censo Escolar Brasileiro.
Torna-se evidente, portanto, que o sistema escolar brasileiro está defasado, devido às técnicas de ensino ineficazes e à evasão escolar. Nesse sentido, o governo federal deve ampliar o alcance do “Bolsa Escola”, por meio da disponibilização de verbas extras da Receita Federal em cidades com altos índices de evasão escolar, a fim de inibir a necessidade de trabalho infantil. Além disso, o Ministério da Educação deve aumentar a interatividade das aulas nas escolas, por meio de trabalhos de campo e debates em sala de aula, a fim de introduzir o aluno na produção de conhecimento. Assim, a partir das cinzas do Ateneu, que é incendiado no final do livro, um novo sistema escolar brasileiro poderá renascer.