Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 24/10/2025
A Constituição Federal de 1988, em seu Artigo 205, assegura a educação como direito de todos, visando ao preparo para o exercício da cidadania. No entanto, o alarmante índice de analfabetismo funcional no Brasil demonstra um abismo entre o ideal constitucional e a realidade social. Essa persistência é um obstáculo complexo, enraizado na ineficácia do sistema educacional básico e na desvalorização social do conhecimento.
Em primeira análise, a baixa qualidade da educação básica e a desigualdade regional figuram entre as principais causas do analfabetismo funcional. De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), cerca de 30% dos estudantes brasileiros não atingem o nível mínimo de proficiência em leitura e interpretação de texto. Sob esse viés, muitos alunos concluem o ensino fundamental sem compreender plenamente textos ou realizar operações matemáticas simples, reflexo da falta de formação continuada de professores, da escassez de recursos pedagógicos e da gestão ineficiente das políticas educacionais.
Além disso, a desvalorização cultural do conhecimento contribui para a manutenção do problema. O educador Paulo Freire, em Pedagogia do Oprimido, defende que a educação deve ser libertadora, possibilitando ao indivíduo compreender e transformar a realidade. Contudo, na sociedade contemporânea, o saber é frequentemente encarado de maneira utilitarista, restrito à obtenção de renda e não à formação crítica. Soma-se a isso o baixo incentivo à leitura no ambiente familiar e escolar, o que limita o desenvolvimento do pensamento reflexivo e enfraquece o interesse pelo aprendizado.