Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 01/07/2020
Paulo Freire, patrono da educação brasileira, afirmou que ela é uma importante ferramenta de transformação social. De forma paradoxal, é possível verificar que o Brasil, hoje, conta com uma grande taxa de analfabetos funcionais, termo que designa pessoas que são alfabetizadas, mas não conseguem interpretar textos simples. Com isso, é evidente que a educação não está sendo designada como ferramenta de transformação e há urgência de se reduzir a taxa de analfabetismo funcional no país.
Em primeiro lugar, cabe ressaltar que a precariedade das instituições públicas de ensino impossibilitam a efetiva alfabetização funcional dos indivíduos. Isso ocorre porque a rede pública, que comporta grande maioria dos alunos, muitas vezes, precisa enfrentar a falta de infraestrutura básica necessária para o aprendizado ocorrer, já que em diversos casos faltam professores e materiais na sala de aula. Para tornar esse cenário ainda mais drástico, em 2016, foi aprovada, no Congresso Nacional, a PEC-241, que garantiu o congelamento dos gastos na educação pelos próximos vinte anos. Visto que os jovens não têm acesso ao básico, torna-se uma tarefa extremamente difícil garantir que eles saiam das escolas, de fato, alfabetizados.
Além disso, o sistema educacional encontra-se em um estado inercial com seus engessados moldes de ensino. Segundo a UNESCO, existem quatro pilares que são objetivos da educação, sendo eles aprender a ser, conviver, conhecer e fazer. Uma vez que as escolas trabalham os alunos de forma análoga ao ultrapassado modelo fordista, com a eterna repetição de processos em busca da perfeição, não há espaço para que os educadores contribuam para com esses outros objetivos da educação defendidos pela organização. Assim, não é possível garantir se os alunos estão realmente aprendendo ou se estão apenas repetindo os processos e, por isso, muitas vezes, as pessoas não conseguem ser alfabetizadas funcionalmente.
Logo, é inegável que há uma grande necessidade de dar enfoque às principais causas da ocorrência do analfabetismo funcional no Brasil, a fim de modificar esse quadro. Com isso, torna-se imprescindível que o Estado invista no contexto educacional brasileiro, em princípio, reavaliando o que foi previsto pela PEC-241, buscando uma forma para anulá-la, visto que a educação não é um gasto e, sim, um investimento. Dessa forma, será possível garantir o destino de verbas para a educação e evitar, assim, a falta de materiais e professores na rede pública. Além disso, é importante que a Base Nacional Curricular Comum reavalie o atual sistema de ensino e o currículo escolar, para que seja possível alcançar todos os pilares da educação previstos pela UNESCO. Assim, torna-se viável, por fim, que a educação seja, de fato, um instrumento para formar cidadãos alfabetizados funcionalmente.