Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 23/03/2019
No limiar do século XXI, o analfabetismo funcional aparece como um dos problemas mais evidentes na sociedade brasileira. É mediante tal questão que muitas pessoas têm dificuldades para compreender textos simples. Nesse contexto, é indispensável salientar que a omissão do poder público está entre as causas da problemática, haja vista que os investimentos nos setores educacionais são ínfimos. Diante disso, vale discutir a insuficiência da administração pública para com a promoção da proficiente alfabetização dos brasileiros e a importância da educação para a evolução do país.
Em uma primeira abordagem, é fundamental destacar que a Constituição Federal de 1988 garante educação de qualidade para todas as pessoas. Todavia, o poder público falha na efetivação desse direito. Consoante a Aristóteles no livro “Ética a Nicômaco”, a política serve para garantir a felicidade dos cidadãos, porém, o que observa-se no Brasil é uma deturpação desse conceito. De maneira análoga, é possível perceber que uma substancial parcela da sociedade apresenta absoluta dificuldade para interpretação de textos, sejam eles simples ou curtos. A partir dessa linha de pensamento, o filósofo Jean-Paul Sartre defende a ideia de que determinadas categorias sociais apresentam privilégios em detrimento de outras, de modo a estabelecer uma convenção a ratifica um ciclo de pobreza associado ao analfabetismo - total ou funcional.
Outro ponto em destaque - nessa temática - é a relevância da educação para o desenvolvimento da nação. Diante desse raciocínio, o educador Paulo Freire defende a máxima de que, se a educação sozinha não pode transformar a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda. De modo a fazer jus a esse conceito, é imprescindível que haja um maior investimento público nos setores educacionais, desde o ensino fundamental ao ensino superior. Nesse sentido, estudos do Instituto de Pesquisa de Campinas indicam que apenas 8% da população brasileira apresenta um perfeito domínio da leitura e da produção de textos. Nessa mesma pesquisa, constatou-se que as camadas mais pobres da sociedade eram aquelas que apresentavam os maiores índices de analfabetismo. Sendo assim, urge a atuação do Estado no âmbito da solução desse impasse.
Fica evidente, portanto, que medidas são necessárias para reduzir a taxa de analfabetismo funcional no Brasil. Cabe ao Ministério da Educação solicitar o direcionamento de, pelo menos, 20% das arrecadações das prefeituras para os setores educacionais dos respectivos municípios. A partir desse investimento, será possível melhorar a estrutura dos ambientes escolares. Com isso, os professores poderão, de maneira mais incisiva, trabalhar a leitura e a interpretação de texto em sala de aula, o que dará ao aluno mais autonomia para a produção e compreensão de sentenças.