Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 21/03/2019
A obra ´´O Cortiço`` de Aluísio de Azevedo, importante escritor do Realismo brasileiro, discorre acerca da incapacidade de leitura, ao retratar a manipulação de uma escrava pelo personagem principal justamente por ela ser iletrada. Fora das produções literárias, o número de analfabetos ,sobretudo o funcionais,pessoa que demonstra dificuldade em interpretar e assimilar conteúdos textuais, é uma realidade de grande parte da população brasileira , o que se configura um grave problema ao corpo social. Dentre os causadores dessa problemática, destacam-se a persistência do desinteresse pela leitura, bem como obsolescência do modelo pedagógico vigente.
Primeiramente, é importante analisar que a desvalorização da leitura é um fator que impulsiona o impasse.Quando o filósofo Aristóteles afirma que a excelência só pode ser obtida por meio da repetição, corrobora -se com a necessidade dos cidadãos adquirirem o hábito de ler para que se desenvolva competências da interpretação e correlação de fatos. Entretanto,nota -se um pouco apreço dos cidadãos brasileiros pela leitura, uma vez que mais de 60 porcento da população não lê , conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o que dificulta a redução dos índices de analfabetos funcionais.
Concomitantemente a essa dimensão social , a manutenção de formas arcaicas de ensino é motivadora da problemática.De acordo com o filósofo Manuel Castells é necessária a promoção de metodologias mais ativas de ensino nas instituições escolares hodiernas,em que o aluno seja mais autônomo na construção do saber.Contrariamente a essa lógica, a pedagogia brasileira não introduz formas de tornar o estudante mais independente, fazendo como que ele torne-se um mero receptor de informações.Tal conjuntura gera consequências alarmantes, como a incapacidade dos indivíduos em compreender textos sozinhos pois tornam-se dependentes da ajudada de um professor.
Diante desses impasses, é essencial a ação do Ministério da Educação em inserir na matriz programática aulas de Cidadania e Ética,mediante alterações nas diretrizes curriculares nacionais, com o intuito de incentivar os alunos o hábito da leitura destacando o seu papel no desenvolvimento de habilidades interpretativas.Ademais,cabe também a ele reavaliar o método de ensino vigente para substitui-lo por uma pedagogia que incentive mais a autonomia dos indivíduos no processo educacional, a fim de que esses não sejam tão dependentes de tutores para correlacionar os fatos corretamente.Desse modo, poder-se-á, pouco a pouco, reduzir o número de cidadãos que encontram -se em situação análoga à escrava da obra de Aluísio de Azevedo: incapaz de ler efetivamente.