Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 23/03/2019
Em 1988, depois do fim da ditadura militar, uma nova constituição foi instaurada após grandes movimentos visando a democracia. Nesse contexto, a constituição trazia consigo direitos dos cidadãos, dentre eles havia a educação de qualidade. Inobstante, hodiernamente, o analfabetismo funcional vem se mostrando como desqualificador do quesito ‘qualidade’ citado na obra jurídica, tendo como principais alicerces a desvalorização da leitura em função da tecnologia e a falta de integração entre escola e família.
A priori, é válido salientar que no Brasil, consoante o site Guia do Estudante, a população brasileira está lendo cada vez menos obras literárias e mais envolta em tecnologia.Dessa forma, as pessoas deixam de ler conteúdos com analises críticas de autores e com diferentes pontos de vistas, ao mesmo tempo que se prendem ao mundo virtual envolto de mecanismos de manipulação que direcionam a informações sempre próximas às do leitor. Por conseguinte, nota-se uma sociedade que sabe o significado das palavras, mas cada vez mais alheia à criticidade, capacidade de redigir textos e intolerante a opiniões contrárias as suas.
Outrossim, cabe ressaltar que há uma necessidade de maior interação entre pais e escolas afim de uma melhor alfabetização. Nesse interim, o sociólogo Pierre Bourdieu fala sobre as funções desses dois agentes, ressaltando que as instituições familiares de baixa renda tendem a pensar nesse processo como responsabilidade única das de ensino. Por sua vez, constrói-se uma disparidade na eficiência de aprendizado ao longo dos anos entre alunos de diferentes classes sociais. Por fim, é gerado nos menos privilegiados um sentimento de menor potencial e distância às matérias. Logo, se corrobora como os dados do Inep, os quais mostram que as evasões sobem ao longo das séries.
Diante do exposto, é visível, portanto, a necessidade de uma intervenção por parte da Esfera do Quarto Poder, além do Ministério da Educação com o auxílio de suas secretarias, a fim de resolver a problemática. Destarte, cabe ao primeiro, através de propagandas, novelas e mídias sociais falar sobre a alienação e problemas gerados pelo uso indiscriminado dos meios tecnológicos, ao mesmo tempo que incentiva a leitura, melhorando a criticidade dos brasileiros. Paralelamente, os demais devem agir, através de palestras aos pais e incentivo à integração “escola-pais”, com a intenção de auxiliar os responsáveis diminuindo os fenômenos descritos por Bourdieu. Assim, poder-se-á dar fundamentação concreta a ‘qualidade’ citada na constituição.