Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil

Enviada em 18/03/2019

Retratos do Analfabetismo Funcional

Segundo a Unesco, para uma pessoa ser considerada alfabeta funcional, ela deve ser capaz de utilizar a leitura e a escrita com a finalidade de atender as necessidades sociais e econômicas dentro de um contexto social, possibilitando um desenvolvimento pessoal e profissional. Quando há a ausência dessa competência em parte da população, configura-se um fator alarmante que diz muito sobre problemas sociais em países como o Brasil. Em vista disso, torna-se importante analisar dois fatores relacionados à educação tendo como objetivo criar alternativas para contornar essa problemática: a defasagem do sistema educacional brasileiro e as questões culturais associadas a isso.

A priori, é imprescindível notar que existem diversos elementos que contribuem para a ineficácia do serviço educacional do Brasil. Dentre eles, falta de infraestrutura nas escolas, má remuneração de professores, ausência de estímulo para crianças e adolescentes para o aprofundamento da leitura. Contudo, existe um aspecto fundamental a ser visualizado para entender a questão do analfabetismo funcional: o ensino é mais focado apenas no significado das palavras e não no contexto em que ela é inserido. Desse modo, é comum constatar a existência de diversos os alunos que aprendem a ler e a escrever, entretanto ainda são incapazes de interpretar um texto ou um gráfico adequadamente. Portanto, fica evidente que a educação no país demanda por renovação.

Acrescenta-se a isso o fato que culturalmente, a condição de analfabetismo sempre foi discriminada. Os analfabetos ficaram impedidos de exercer sua posição política até a promulgação da Constituição de 1985. Além disso, Monteiro Lobato, um escritor de destaque, ajudou a perpetuar estereótipos contra essas pessoas a partir de sua obra “Jeca Tatu”, com apelidos pejorativos contra analfabetos como “burro” e “ignorante”. Embora a condição de analfabetismo pleno ser diferente da condição de analfabetismo funcional, também é possível notar um preconceito contra as pessoas que não conseguem compreender textos, gerando incômodo nelas e servindo como desestímulo, fazendo-as que se recusem a buscar conhecimento.

Portanto, em face das causas que contribuem para a manutenção do analfabetismo funcional no Brasil, é crucial a criação de alternativas além das convencionais para a sua redução. Sendo assim, é interessante a criação de oficinas escolares que incentivem a leitura para que o exercício de interpretação de diferentes contextos seja praticado. Além disso, é importante que os pais eduquem seus filhos para respeitar as condições intelectuais de cada um. Ou seja, é essencial notar que para essa problemática ser resolvida, é preciso respeitar e ajudar os leigos e valorizar a educação.