Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 19/03/2019
A filósofa judia ’’ Hannah Arendt’’, em sua obra ’’ Eichmann em Jerusalém, desenvolve as banalidades do mal, conceito que consiste na indiferença das pessoas diante de problemas aparentemente irrelevantes. Assim, o mal perdura e se intensifica. Nesse viés, é possível comparar a atual situação do analfabetismo funcional à teoria da pensadora, visto que parte significativa da sociedade ignora esse problema educacional. Posto isso, faz-se necessário que esse assunto seja debatido.
Em primeira análise, vale ressaltar que o ensino básico de baixa qualidade colabora para o analfabetismo funcional, no Brasil. Nesse contexto, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 20% dos brasileiros não conseguem compreender textos, enunciados e estabelecer relações entre assuntos, apesar de conhecerem letras e números. Dessa forma, fica evidente a desprimorosa educação do país, que gera consequências a escrita do estudante, como erros graves de ortografia, de transcrição fonética e de separação silábica, desenvolturas básicas para formação acadêmica. Ademais, percebe-se o descaso do Governo com a carreira docente e as condições estruturais das escolas, o que é oprobrioso, visto que, de acordo com o INEP, 5,1% do PIB é destinado para investimento na educação. Diante disso, medidas exequíveis devem ser tomadas.
Em segunda análise, nota-se a ausência de campanhas de incentivo à leitura como impulsionadora para o elevado índice de analfabetos funcionais. Nessa perspectiva, John Locke afirma que, ao nascer, a mente é uma página em branco, tábula rasa, que a experiência e o convívio social vão preenchendo ao longo da vida. Desse modo, uma criança que vive em uma sociedade que não possui o costume da leitura, não desenvolverá esse hábito. Além disso, a falta de incentivo e propagandas educativas fomenta a problemática, consequentemente, havendo maior probabilidade desses jovens se tornarem analfabetos funcionais. Por essa razão, apresentarão dificuldades para se inserirem no mercado de trabalho. Logo, esses fatores podem ser considerados uma anomia social, de Durkheim.
Torna-se evidente, portanto, que a questão do analfabetismo funcional exige medidas concretas. É imperiosa, nesse sentido , uma postura ativa do Governo Federal, em relação a promover oficinas e cursos de leitura e interpretação, por meio de parcerias com empresas como o Senac e Senai, reduzindo os impostos dessas instituições para que elas possam realizar essas aulas, no intuito de regredir o analfabetismo do Brasil. Além disso, o Ministério da Educação pode desenvolver propagandas e cartilhas educaciuonais , por intermédio de associação com redes televisivas e gráficas, para que desenvolvam reportagens e panfletos de cunho moral, incentivando a leitura na sociedade.