Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 20/03/2019
Nos últimos anos, no Brasil, índice de analfabetos plenos tem diminuído consideravelmente, alcançando, segundo o último levantamento do IBGE, apenas 8% da população. Contudo, o resultado não é satisfatório quando incluídos na pesquisa os analfabetos funcionais - aqueles que frequentaram a escola, porém não dominam as habilidades da leitura, da escrita e do cálculo -, já que, de acordo com o Indicador Nacional de Analfabetismo Funcional (INAF), um a cada quatro brasileiro faz parte desse grupo. Essa alarmante realidade é reflexo da negligência governamental com a educação básica no país, o que causa consequências perceptíveis tanto para o indivíduo quanto para a sociedade. Assim, torna-se imprescindível a elaboração de alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil.
Inicialmente, deve-se considerar que, de acordo com o Artigo 6 da Constituição Federal, todo cidadão tem direito a um ensino gratuito de qualidade, o qual garanta sua absoluta alfabetização. No entanto, não é o que, de fato, ocorre, visto que há, majoritariamente, uma falta de investimento governamental nas escolas, acarretando, por vezes, a falta de infraestrutura adequada e de um corpo docente qualificado. Esse cenário é comprovado pela atual aprovação de PEC 241, na qual se estabeleceu o congelamento de gastos na área da educação por vinte anos, o que demonstra a falta de comprometimento do Estado em garantir direitos constitucionais.
Diante dessa circunstâncias, as consequências para o individuo podem ser graves, a exemplo da dificuldade de inserção no mercado de trabalho, haja vista que o candidato não terá habilidades de interpretar textos e desenvolver cálculos simples. Essa realidade é evidenciada pela reportagem do site Uol, “Analfabetismo no século XXI”, na qual um dos entrevistados relata que perdeu uma oportunidade de emprego, pois não compreendeu a ficha de admissão. Outrossim, uma população não alfabetizada torna-se alienada, posto que não vivenciou a educação libertadora proposta por Paulo Freire, a qual seria, segundo o educador, o principal instrumento para a construção de um senso crítico do indivíduo. Logo, nota-se a formação de uma massa desinformada, que, em sua maioria, não conhece nem luta por seus direitos.
Portanto, as ONGs e os Movimentos Estudantis devem exigir o cumprimento do Artigo 6 da Constituição, por meio de petições e de manifestações, a exemplo das ocupações das escolas em São Paulo em 2016, organizadas como protesto pela merenda escolar nas instituições. Dessa forma, a sociedade civil assegurará o amplo exercício da cidadania a todos.