Alternativas para reduzir o analfabetismo funcional no Brasil
Enviada em 24/03/2019
Riobaldo, um dos protagonistas de ‘‘Vidas Secas’’, escrito por Graciliano Ramos, expressa, durante a trama, todos os percalços da falta de instrução que o condiciona à dependência da lida para a própria sobrevivência e de sua família. Com isso, o retrato do lavrador humilde, com falhas de articulação e que se comunica por meio de sons guturais e animalescos torna-se, também, a imagem de diversos brasileiros que, pela falta de acesso à educação de qualidade, enfrenta dificuldades a cada dia. Dessa forma, a concentração de recursos e infraestrutura em regiões centrais, bem como a ausência do Estado e a evasão, provocam altos índices de analfabetismo na vida adulta e urgem por resoluções.
A princípio, destaca-se como a concentração do capital em localidades de maior relevância econômica contribui para os baixos índices de eficiência no alfabetismo em demais partes. Sob essa ótica, a Emenda Constitucional 59, realizada em 2009, garante a universalização e obrigatoriedade do ensino de forma gratuita e de qualidade. Contudo, a realidade prática é bem diferente da teórica, a julgar pela infraestrutura básica desigual, em que, em estados como o Maranhão e a Paraíba, o débil investimento resulta na ausência de laboratórios, bibliotecas, professores, materiais e até saneamento básico em instituições desde o ensino fundamental até o superior, reforçando, assim, objeções no aprendizado e corroborando para a diminuta produtividade em exames de análise de progresso, como a Prova Brasil.
Da mesma forma, acentua-se os altos níveis de evasão escolar, em consonância com discrepâncias de oportunidades no ingresso ao ensino superior, como fatores para a proeminência do analfabetismo funcional. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), um adulto brasileiro tem, em média, apenas sete anos de escolaridade, número bem abaixo de países desenvolvidos. Esse índice, esclarece como grande parte da população não atinge graus básicos de aprimoramento, que seriam de 13 anos. Dessarte, é inaceitável que, com a exacerbada arrecadação de impostos, o Estado
não garanta condições para a permanência do aluno, com infraestrutura e auxílios, fazendo com que o abandono para iniciar a atividade laboral ou constituir uma família tornem-se opções mais viáveis.
Por conseguinte, é imprescindível que medidas sejam tomadas para melhor evolução do aluno. Cabe, em razão disso, ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, em consonância com as secretarias locais, a parceria público-privada por meio da oferta de alunos para empresas emergentes em troca do abatimento de cargas de impostos, incentivando, com isso, a permanência no ambiente escolar pelo ensino técnico e a atitude pessoal pela busca de melhorias empregatícias, a fim de evitar a evasão. Bem como, é necessário a fiscalização presente e intensiva com o intuito de coibir possíveis desvios e maus usos de verbas e garantir boas condições para o alfabetismo equitativo e de qualidade.